Publicado em: quarta-feira, 22/02/2012

Hepatite mata mais que a AIDS, conclui pesquisa nos EUA

Hepatite mata mais que a AIDS, conclui pesquisa nos EUADados de uma pesquisa americana mostraram que o número de mortes causadas pela hepatite C são maiores do que aquelas causadas pela AIDS nos Estados Unidos. Enquanto os índices de morte por AIDS tiveram queda de 50.000 por ano se comparado o período da década de 90 com 2007, que teve apenas 12.700 casos, a hepatite apresentou resultado inverso. Neste mesmo ano, mais de 15.000 pessoas morreram devido a hepatite, sendo que este número é 12% maior que os óbitos causados pelo HIV. O estudo foi publicado no periódico médico Annals of Internal Medicine.

Esse levantamento de dados foi feito por Harvey Alter e T. Jake Liang no Instituto Nacional de Saúde dos EUA. Os autores do estudo estimam que os adultos representam a maioria dos 3,2 milhões de americanos que têm hepatite C e levantam ainda a possibilidade de que três quartos deles têm idade entre 45 e 64 anos. Além desses resultados, os pesquisadores afirmaram que a maior parte dos infectados não sabe que possui o vírus. Isso é considerado assustador, pois podem facilmente transmitir a doença para outras pessoas pelo sangue ou pelo ato sexual.

Neste mesmo periódico foi publicada uma outra pesquisa sobre o mesmo assunto. Os dados deste novo trabalho mostram que os indivíduos infectados com hepatite C só buscam tratamento depois que a doença começa a causar danos preocupantes ao organismo. De acordo com Kathleen Ly, do Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e que é autora deste segundo estudo, o vírus da hepatite C é, na maioria das vezes, assintomático ou causa somente sintomas não específicos, que não levam a pessoa a buscar um médico.

Brasil tem maiores registros de HIV

No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que aproximadamente 70 mil novos casos de hepatite C foram diagnosticados no país nos últimos 12 anos. Esse número, no entanto, é bastante inferior aos casos de AIDS constatados no mesmo período. Mais de 400 mil pessoas foram infectadas na primeira década do século XXI. Mesmo com essa diferença, especialistas alertam que o número inferior para os casos de hepatite é resultado da subnotificação da doença. Carlos Varaldo, presidente do Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite, argumenta que cerca de 90% dos infectados morrem vitimas de cirrose ou câncer e não sabem que essas doenças foram agravadas pela hepatite C.