Publicado em: sábado, 03/03/2012

Grupo reformista boicota eleição parlamentar no Irã

Partidários do líder supremo do regime islâmico do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foram às urnas em peso na sexta feira (02), para realização de uma eleição parlamentar que está sendo boicotada pelos reformistas.

“Estou aqui para apoiar o aiatolá Khamenei”, declarou o comerciante Houman Riyazi, de 50 anos, numa seção eleitoral localizada na zona sul de Teerã. O aiatolá Khamenei solicitou ao eleitorado que participasse expressivamente, já que este pleito servirá como teste para as instituições clericais, que foram alvo de protestos da oposição devido uma suspeita de fraude na eleição presidencial de 2009.

“Estou dando um tapa na cara [dos Estados Unidos] da América com o meu voto”, afirmou o seminarista Reza Ghoreishi, de 25 anos, quando votava na cidade sagrada de Qom, ecoando a retórica de Khamenei. “Morte à América, morte a Israel, morte a todas as potências arrogantes”, declamou o estudante religioso.

Sem a participação significativa dos reformistas, juntamente com a prisão domiciliar dos líderes oposicionistas Mirhossein Mousavi e Mehdi Karoubi, a eleição acabará sendo principalmente uma disputa entre conservadores rivais: de um lado os partidários do presidente, Mahmoud Ahmadinejad e de outro, os seguidores do aiatolá Khamenei.

“Votei em 2009 e veja o que aconteceu. Por que eu iria me dar ao trabalho desta vez?”, questionou o ex-universitário Houshang, de 22 anos. Ele revela que foi expulso da universidade depois de ter participado de oito meses de protestos nas ruas, depois da reeleição de Ahmadinejad. “Minha vida mudou por causa daquela votação. Não vou repetir o mesmo erro”.

Segurança

A polícia esteve vigiando as principais praças e ruas de Teerã e outras cidades, para reprimir os atos de violência, que encerraram o dia sem ocorrer. Na zona norte da cidade, parte mais rica de Teerã, as seções eleitorais estavam vazias no início da manhã.
Entretanto, nas cidades do interior como Isfahan e Shiraz, longas filas se formavam entre os eleitores para votação. Uma emissora de TV declarou haver “um comparecimento do tamanho do Irã”, registrando um número “histórico” de participação.

Em 2008, na última eleição parlamentar, o comparecimento foi de 57% da população de eleitores. Para este ano, as autoridades esperam cerca de 65%. O regime islâmico vem tentando recuperar sua legitimidade com a eleição, diante do crescente isolamento internacional devido a seu programa nuclear.