Publicado em: terça-feira, 01/04/2014

Grupo participa do ato “Ditadura Nunca Mais: 50 anos do golpe militar”, em SP

Grupo participa do ato Ditadura Nunca Mais: 50 anos do golpe militar, em SPNa manhã de ontem, segunda-feira (31), houve um ato em favor aos 50 anos do golpe militar, que aconteceu no 36º DP (Paraíso), localizado na zona sul de São Paulo. No local, foram abrigados o Doi-Codi – Destacamento de Operações de Informações, Centro de Operações de Defesa Interna – durante o tempo do regime militar. José Ferreira, 67, fez um desabafo durante o ato, contando que foi preso na Ditadura Militar e sente nojo de tudo aquilo que aconteceu.

“Espero que não se repita”, afirma. Segundo seu depoimento, ele passou uma semana preso no local, isso em 1971, e até mesmo sofreu tortura psicológica, quando questionado sobre como era seu sentimento ao retornar ao lugar onde tudo aconteceu, ele fica em silencio, relembrando os momentos de terror e então diz emocionado que, não tem palavras. Além disso, José Ferreira ficou preso por 45 dias nos Dops (Departamento de Ordem Política e Social). José foi apenas um, das 1.000 pessoas que participaram do ato, foram para o pátio do 36º DP, parentes de desaparecidos políticos, estudantes e integrantes de movimentos sociais. Muitos são ex-detentos políticos, e eles também marcaram presença no evento, onde foi palco para muitas lembranças e grande emoção.

Um minuto de silêncio

Como forma de destaque, muitas pessoas estavam com lenços brancos amarrados no pescoço e nas mãos, assim como cartazes que continham 437 desaparecidos na época da ditadura. Durante o evento, um minuto de silencio foi feito em lembrança das vítimas. Também houve apresentação de um coral, teatro e vídeos com depoimentos dos familiares de vítimas da ditadura foram exibidos.

Os familiares e participantes que estavam no local, leram um manifesto que pedia a punição dos torturadores da época, após esse ato, também houve uma leitura com os nomes de 56 pessoas que morreram no prédio no qual abrigou o antigo Doi-Codi. Acredita-se que uma médica cinco a oito mil pessoas passaram pelo prédio e foram torturadas lá.