Publicado em: sábado, 03/03/2012

Governo se manifesta sobre cancelamento de contrato da Embraer

Após dois dias do cancelamento da compra dos aviões da Embraer, o governo brasileiro protestou contra a decisão dos Estados Unidos. A compra era de 20 aeronaves A-29 Super Tucano, da fabricante nacional Embraer. Em um comunicado divulgado pelo governo, a decisão americana poderá ter impacto e atrapalhar as parcerias militares entre os dois países.

Segundo a nota, o governo brasileiro ficou surpreso com a notícia da suspensão do processo licitatório, principalmente pela forma com que isso aconteceu. O governo salientou que esse acontecimento não contribui para aprofundar as relações entre os dois países no que se refere à defesa.

Ao desfazer o contrato com a Embraer, segundo o Itamaraty, os americanos tornaram complicada a posição da Boeing. A empresa disputa com franceses e suecos um processo licitatório para fornecer caças à Força Aérea Brasileira (FAB). A divulgação do resultado deve acontecer nos próximos meses.

Ao ser procurado pelos jornalistas para falar mais sobre o assunto, o Itamaraty informou que a posição do governo em relação ao acontecido já foi divulgada no comunicado. Foi negado ainda que o governo tenha feito um pedido formal de explicações sobre o caso para os Estados Unidos. Enquanto isso o vice-secretário de Estado dos EUA, William Burns, disse ontem que espera que Washington resolva, o mais rápido possível, os problemas que suspenderam o pedido de compra dos aviões da Embraer pelo governo americano. O vice-secretário não admitiu que a decisão tivesse influência de pressões eleitorais e também disse que o cancelamento desse contrato não deve influenciar a decisão brasileira na compra dos caças.

EUA cancela contrato que renderia US$ 355 milhões

A licitação para compra dos aviões da Embraer pelos EUA foi suspensa nesta última terça-feira devido a problemas com documentação, segundo representantes da Força Aérea americana. Acredita-se, no entanto, que o forte lobby da americana Hawker Beechcraft teve efeito no cancelamento. A Empresa americana, rival da Embraer, dizia que caso a empresa brasileira vencesse a disputa haveria perda de empregos no país.