Publicado em: quinta-feira, 30/01/2014

Fiscalização não é feita em pelo menos metade da carne brasileira

Metade das carnes brasileiras não são fiscalizadasPraticamente metade da carne bovina que é feita no Brasil não faz parte do alcance do Ministério da Agricultura (MAPA), que realiza a fiscalização, além de também não ter o Certificado de Inspeção Federal (CIF). A função de controlar o uso de resíduos de antibióticos, hormônios e vermífugos, que são proibidos aqui no Brasil, deve ser feita nos rebanhos pelos órgãos estaduais e municipais, porém, esses geralmente não têm meios próprios para fazer a fiscalização.

Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Fernando Sampaio, infelizmente o respaldo não é dado pela legislação para que isso aconteça de fato, desse modo, os municípios e estados não fazem a fiscalização. Sampaio ainda afirmou que isso é uma concorrência desleal.

Somente em São Paulo há 588 abatedouros registrados no sistema de inspeção, segundo informações da Secretaria de Agricultura. No total, o governo tem aproximadamente 37 veterinários em 40 Escritórios de Defesa Agropecuária, o EDA, que realizaram no ano passado mais de 1.500 fiscalizações que foram programadas com a possibilidade e demanda das denúncias.

Para realizar as fiscalizações, o Ministério da Agricultura trabalha segundo o Programa Nacional de Controle de Resíduos Contaminados, fazendo sorteios eletrônicos com mais de três mil estabelecimentos para escolher as empresas que serão fiscalizadas por meio de análise. Com o frango, a inspeção federal consegue alcançar mais de 90% da produção, de acordo com entidade responsável pelos produtores da ave, a Ubabef.

As grandes exportadoras, como é o caso da BRF e as JBS, têm seus próprios laboratórios para realizarem as análises e confirmarem se as carnes estão nos padrões do “Codex Alimentarius” da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização para a Agricultura e Alimentação e (FAO).

As empresas que trabalham com a exportação sempre estão realizando as avaliações, pois sempre são coletadas amostras pra análises. Caso sejam encontrados excessos de medicamentos e a violação for grave, o frigorífico pode ser interditado, ou ainda, ser submetido a um regime de controle mais rigoroso.