Publicado em: quarta-feira, 02/01/2013

Filme “No” mostra o final da ditadura no Chile

Filme “No” mostra o final da ditadura no ChileO longa-metragem é um dos candidatos a levar o Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro 2013. Na trama, o ator mexicano Gael García Bernal é o protagonista do filme do diretor Pablo Larraín. O roteiro conta o fim da trajetória do ditador Augusto Pinochet. “No” foi o vencedor da Quinzena dos Realizadores de Cannes 2012. Larraín já tinha tradado o assunto em outras produções como “Tony Manero” (2008) e “Post Mortem” (2010), que ainda não está no circuito comercial brasileiro.

A ficção “No” reconstitui o plebiscito de 1988. A iniciativa foi tomada pela forte pressão internacional. Nele, Pinochet pretendia conseguir um aval popular para continuar no poder, o que não vingou. A partir disso o país começou o período de redemocratização. Gael está no papel do publicitário, René Saavedro. O personagem precisou crescer em outro país por ser filho de um dos exilados. Eles foi convidado pelo movimento esquerdista para dar os comandos da campanha contra o regime ditador.

As divergências dos componentes de uma esquerda dividida são abordadas. Assim como o acordo entre eles a cederem as orientações de René que busca uma visão mais moderna e otimista da campanha contra Pinochet. O publicitário cria jingles mais leves. Ao longo do filme, todo o processo de abertura para a queda de Pinochet toma corpo, até mesmo porque o ditador não acreditava que poderia ser derrotado pelo povo.

Há trechos das campanhas que apareciam na televisão naquela época. Além do que veio acontecendo recentemente. Uma velha câmera foi utilizada para fortalecer a impressão de originalidade das cenas. A impressão é de que os fatos acontecem num mesmo tempo.

O roteiro surgiu a partir da peca “El Plebiscito”, de Antonio Skármeta. A produção contou com pesquisas e entrevistas a fontes que vivenciaram aquele momento de derrubada da ditadura chilena. O próprio cineasta Pablo Larraín tem uma história familiar que contribuiu para dar consistência ao longa.Seu pai, Hernán Larraín, apoiava Pinochet. Já a mãe, Magdalena Matte, é ex-ministra do atual presidente direitista do Chile, Sebastián Piñera. Pablo deixa claro sua visão contrária a Pinochet.