Publicado em: segunda-feira, 19/03/2012

Filho de Eike Batista mata rapaz e família ameaça processá-lo

No início da noite deste sábado (17), Thor Batista, de 20 anos, filho do empresário Eike Batista, atropelou e matou Wanderson Pereira da Silva, de 30 anos, ajudante de caminhoneiro, que voltava para casa pedalando em sua bicicleta. O rapaz morreu na hora, após ser atingido pela Mercedes SLR McLaren de Thor, avaliada em pelo menos R$ 2,7 milhões, enquanto estava na rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias na Baixada Fluminense.

Cleber Carvalho, advogado da família da vítima, declarou que irá solicitar na Justiça uma indenização por danos materiais e morais devido à morte de seu cliente. Ele afirmou também que analisa a possibilidade de requerer a abertura de um processo criminal por causa do acidente. “Se for comprovado que a velocidade era maior do que a permitida, vira caso criminal e de crime culposo vira doloso”, falou.

O advogado contou que o corpo da vítima foi completamente dilacerado e que para poder ser enterrado precisou passar por uma reconstituição. De acordo com um parente da vítima, Eike Batista teria pagado R$ 8.000 para as despesas do enterro. Segundo nota divulgada pelo grupo do empresário, o ciclista foi negligente ao “atravessar inadvertidamente a rodovia no sentido Rio” quando o acidente ocorreu e Thor estava dirigindo dentro da velocidade permitida: 110 km/h.

O advogado nega a versão, argumentando que o jovem estava no acostamento e não teria nenhuma razão para cruzar a rodovia, pois morava daquele mesmo lado da estrada. “O coração dele foi parar dentro do carro, por isso eu sei que ele foi pego de frente. Se ele tivesse atravessando a rodovia como estão falando, teria sido pego de lado”, contou uma tia da vítima.

O que também é contestado é o procedimento adotado pela polícia. “Nunca vi tanta agilidade em um caso desses, às vezes o corpo e o carro de um atropelado ficam o dia inteiro até sair do local. […] Se fosse José matando José não tinha sido assim”, disse o advogado em tom de indignação pelo fato do atropelador pertencer a uma das famílias mais ricas do país.

O teste de bafômetro feito em Thor não acusou a presença de bebida alcoólica. Ele deverá ser indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.