Publicado em: terça-feira, 22/11/2011

Ex-chefes do Camboja são julgados por crimes contra a humanidade

Os últimos chefes vivos do Khmer Vermelho, grupo que comandou o Camboja entre 1975 a 1979, foram julgados na segunda-feira (21) por crimes contra a humanidade, pois este período do país é considerado um dos piores horrores do século 20. O julgamento contra três líderes remanescentes é considerado um dos mais complexos e importantes entre os crimes de guerra já cometidos no mundo. Os três são ex-dirigentes do regime maoísta.

Os acusados são o ex-presidente Khieu Samphan, o ex-chanceler Ieng Sary e o ex-vice-líder do regime Nuon Chea, sendo que todos também foram os principais assessores do falecido líder Pol Pot, considerado um revolucionário. Pol Pot foi o responsável por instituir um regime agrário e de coletivização forçada, que por muitos analistas é considerado um genocídio. Estima-se que mais de 1,7 milhão de pessoas tenham morrido com essa medida, sendo que as causas foram de fome, doenças evitáveis, torturas e extermínios nos chamados “Campos da Morte”.

Um quarto integrante dos sobreviventes, o ex-ministro de Assuntos Sociais Ieng Thirith, deveria ser julgado, mas foi considerado mentalmente incapaz na quinta-feira (17). As acusações contra os réus são por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, conforme as leis do Camboja e o direito internacional.

Ativistas de direitos humanos não ficaram satisfeitos com a maneira como os julgamentos aconteceram, pois foi rejeitado um terceiro processo. A sessão de segunda-feira é a segunda realizada pelas Câmaras Extraordinárias nas Cortes do Camboja. Isso significa que este pode ser o último julgamento referente a esse caso.