Publicado em: terça-feira, 28/02/2012

EUA questiona anúncio das Farc sobre fim dos sequestros de civis

Na segunda-feira (27), diante do anúncio das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de que não irão mais sequestrar civis, os Estados Unidos se mostraram cautelosos, afirmando esperar que a guerrilha cumpra com a afirmação.

“Os Estados Unidos apoiam a libertação de reféns como um passo importante e necessário. Lembramos que as Farc prometeram no passado libertações de reféns; essas promessas não são confiáveis até que sejam levadas adiante realmente”, declarou a porta-voz do Departamento de Estado, Neda Brown. “Apoiamos o apelo do presidente (colombiano Juan Manuel) Santos para que as Farc renunciem à violência, à ilegalidade e para que libertem todos os reféns”, finalizou.

Entretanto, menos de 24 horas após o anúncio da guerrilha, a Sexta Frente das Farc iniciou um ataque com bombas artesanais contra postos policial e militar no centro da cidade de Caldono. Os ataques terminaram com pelo menos quatro mortos.

Pela intensidade dos ataques, o secretário municipal, Carlos Pascué, afirmou que não conseguiu sair de casa. “As Farc estão cometendo ataques desde 5h20 (horário de Brasília) com morteiros e bombas. Estamos sobrevoando o local com os helicópteros de autoridades, mas é muito complicada a situação em Caldono”, afirmou o secretário a uma emissora colombiana.

Situação dos seqüestrados

O grupo guerrilheiro foi fundado nos anos 60 e hoje mantêm em seu poder 405 civis, de acordo com a ONG Fundación País Libre. Segundo Olga Lucía, diretora da ONG, os prisioneiros foram sequestrados nos últimos dez anos, como uma forma de as Farc financiarem as atividades.

No anúncio feito pela guerrilha no domingo, o grupo também afirmou que entregará os dez policiais e militares que estão sob seu poder. Mas não definiram nenhuma data para essa libertação.

“Eles fazem um pronunciamento de que não voltarão a sequestrar civis, mas gostaríamos de saber o que se passou com estes 405 reféns que estão em cativeiro, segundo as autoridades colombianas”, questionou Lucía.

De acordo com ela, a organização sempre oculta a situação dos sequestrados civis, só comentando sobre os reféns políticos, que são usados como moeda de troca por guerrilheiros presos.

Segundo número da divisão Antisequestro da Polícia Nacional da Colômbia, dos 255 sequestros realizados no ano passado, 145 foram crimes comuns, 72 foram praticados pelas Farc, 30 pelos Exército de Libertação Nacional (ELN) e oito por outros grupos militares.