Publicado em: sábado, 15/03/2014

Estudo mostra que jogar Super Mario faz bem para o cérebro

Estudo mostra que jogar Super Mario faz bem para o cérebroRecentemente, um estudo publicado na revista Molecular Psychiatry mostrou que o game Super Mario 64 traz benefícios relevantes para o cérebro, especialmente no que diz respeito a formação de memória, orientação espacial, coordenação motora e planejamento estratégico.

O estudo, conduzido pelo Instituto Max Planck, de Berlim, levou em conta apenas meia hora de jogo por dia, ao longo de dois meses. Para averiguar os resultados, foram utilizados scanners cerebrais, que revelaram alterações no volume do hipocampo direito, além de cerebelo e córtex pré-frontal. Para contrabalancear a pesquisa, também foi utilizado um grupo de controle, que não jogou o game neste período. Este grupo, ao longo dos dois meses, não apresentou qualquer alteração relevante.

Ineditismo

Embora outros estudos recentes tenham mostrado a possível influência dos games em melhorias cerebrais, esta foi a pesquisa mais incisiva a respeito do assunto. Isso porque, neste caso, os cientistas conseguiram comprovar a relação direta entre o jogo e as alterações cerebrais.

Além de servir como argumento de defesa aos jogos eletrônicos, este estudo também poderá servir como base para uma série de aplicações práticas futuras, como a utilização de games em terapias com pacientes de autismo, depressão e outras condições cerebrais, principalmente aquelas originadas por estresse ou trauma.

Estudos anteriores

O estudo conduzido pelo Instituto Max Planck ajuda a fortalecer uma tendência recente: os games, antes vistos como grandes vilões, agora começam a ser encarados de maneira positiva, com respaldo científico. Recentemente outro estudo, feito nos Estados Unidos, mostrou que idosos que jogam videogame têm uma propensão menor à depressão.

Com finalidade terapêutica, o game Re-Mission foi criado com o objetivo de auxiliar pacientes com câncer. No jogo, os gamers controlam um robô que precisa eliminar células malignas. Após análises feitas com ressonância magnética, cientistas descobriram que o jogo auxilia na ativação de áreas do cérebro responsáveis pela motivação.

Cautela

Apesar das descobertas animadoras, o estudo feito pelo Instituto Max Planck é ainda visto com cautela, principalmente devido ao número de indivíduos analisados ao longo da pesquisa. Ao todo, 23 adultos participaram da pesquisa, número insuficiente para que seja feita qualquer análise mais aprofundada sobre as alterações cerebrais feitas pelo jogo (afinal, outras pessoas podem ter respostas diferentes aos estímulos oferecidos pelo game).

Outra possibilidade que ajudaria a aumentar a compreensão a respeito dos benefícios trazidos pelos games seria a utilização de mais jogos em estudos semelhantes, para que se analisasse o impacto de diferentes games no cérebro.

Por fim, também é preciso encontrar um ponto de equilíbrio. Embora Super Mario 64 tenha trazido benefícios quando jogado meia hora por dia, outros estudos independentes têm mostrado uma correlação convincente entre jogar videogame de maneira excessiva e redução de capacidades cerebrais. Embora tenha sido dita há quase 500 anos, a frase do médico suíço Paracelso segue atual: a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. Ou seja, o próximo desafio dos cientistas é descobrir até que ponto os games são benéficos, e a partir de quando se tornam prejudiciais.