Publicado em: sexta-feira, 02/03/2012

Estudo diz que Android é sistema mais vulnerável à ação de hackers

No período em que os smartphones são alvos mais frequentes do ataque de hackers, o sistema operacional Android, do Google, tem aparecido como o mais exposto a esta ameaça, segundo afirmação de especialistas.

Não é possível ignorar o sucesso do Android no Mobile World Congress, que ocorre esta semana em Barcelona: na ausência da Apple (que se recusa a participar deste tipo de evento), a plataforma irá ocupar um imenso espaço no congresso, com o seu robô verde, além de estar presente na maioria dos novos aparelhos desenvolvidos para o evento.

Entretanto, para os analistas, o sistema operacional é o “calcanhar de Aquiles” do Google. “Isto é preocupante no modelo Google, mas é também o que é bonito, seu ambiente aberto”, afirmou Cesare Garlati, diretor de mercado da companhia de segurança Trend Micro.

Como o sistema é aberto, qualquer usuário pode desenvolver ou instalar um aplicativo em um telefone Android, explicou Garlati. No caminho inverso, a App Store, loja virtual da Apple que é extremamente controlada, impõe um rigoroso controle antes de permitir o acesso.

“No fim das contas, quanto ao modelo de segurança Android, cabe ao usuário final a responsabilidade de julgar se um aplicativo é seguro”, disse Garlati, que acrescentou: “acho que é pedir muito ao usuário. Quem é capaz de compreender se um vendedor (de aplicativo) é legítimo?”.

Pesquisa de segurança

A empresa Trend Micro realizou uma pesquisa com analistas independentes com mais de 100 elementos de segurança dos quatro principais sistemas operacionais: iOS, da Apple, Blackberry, Android e Windows, da Microsoft. A pesquisa posicionou o Blackberry como o mais seguro, deixando o último lugar para o Android, como o mais vulnerável.

Como o Blackberry é mais voltado para o mercado profissional, ele sempre foi muito rigoroso neste aspecto. Enquanto que o iOS, que ficou em segundo lugar na pesquisa, é rigorosamente controlado pela Apple.

Entretanto, Cesare Garlati avisa: “nenhuma plataforma está imune” aos hackers. Estes usuários que hackeiam os aparelhos estão cada vez mais atraídos pelo crescimento desta rede. Mais de um 1 bilhão de usuários de usuários estão previstos para até 2013.

“Nós temos a certeza de que isso vai seguir a evolução dos computadores”, declara Eugene Kaspersky, diretor da empresa Eponymous, se referindo as ameaças aos PCs, que explodiram de 90 mil, no ano de 2004 para 16 milhões em 2011, alimentadas principalmente pelo aumento de transações na internet.

A segurança dos telefones móveis e tablets será um dos principais temas do congresso de Barcelona, onde empresas especializadas nesta área, como a McAfee, SAP e Kaspersky, irão apresentar seus novos softwares de proteção.

De acordo com o centro de pesquisas Juniper Networks, no ano de 2011 foi registrado “um novo recorde de ataques aos aparelhos”, especialmente nos equipamentos com Android. O número de ataques aumentos 155% no período de um ano, passando de 11.318, em 2010, para 28.472 em 2011. Cerca da metade deste número (46,7%) foi realizado contra telefones Android, de acordo com a pesquisa. Entretanto, o levantamento não considerou os ataques contra a Apple.

“A combinação de uma parcela de mercado dominante para o sistema Android, do Google, e da falta de controle sobre os aplicativos de diferentes lojas Android criou o ambiente ideal para os desenvolvedores de malware, dando a eles tanto os meios quanto a motivação para atacar esta plataforma”, destaca Juniper.