Publicado em: terça-feira, 25/03/2014

Estruturas temporárias podem tirar Porto Alegre da Copa do Mundo

Estruturas temporárias podem tirar Porto Alegre da Copa do MundoApós Curitiba sofrer ameaças de ser excluída pela FIFA da Copa do Mundo, é a vez de Porto Alegre causar preocupações. A menos de três meses para o início do Mundial, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, declarou que a capital do Rio Grande do Sul pode ficar fora da Copa do Mundo devido a um impasse envolvendo as chamadas estruturas temporárias, que ficariam ao redor do Beira-Rio e serviriam para o atendimento a patrocinadores, imprensa, tecnologia da informação e segurança.

Sem solução

Embora o Beira-Rio já esteja pronto e tenha sido inaugurado, o entorno do estádio tem sido alvo de preocupação há meses. Nesta segunda-feira, 24 de março, Fortunati foi taxativo ao afirmar que simplesmente não há solução para a questão das estruturas temporárias. O prefeito ressaltou que, no momento, o projeto para a estrutura temporária está na assembleia e, após sua aprovação, ainda terão de ser buscados recursos para as obras.

Fortunati afirmou que, se a votação do projeto não acontecer, não há qualquer outro plano para viabilizar as estruturas temporárias. Desta forma, Porto Alegre não teria condições de receber a Copa do Mundo. Antes, as estruturas temporárias do Beira-Rio já haviam causado polêmica: a prefeitura afirmava que a responsabilidade da obra era dos administradores do estádio que, por sua vez, colocavam as obras na conta da prefeitura.

Manobra

A entrevista de José Fortunati, com tom alarmista, teve um propósito claro: pressionar pela votação do projeto de lei sobre as estruturas temporárias e, ao mesmo tempo, acelerar a futura captação de recursos, após a aprovação na assembleia.

Caso Porto Alegre fosse excluída da Copa do Mundo, a prefeitura teria de arcar com multas de valor muito superior ao custo das próprias estruturas temporárias. Por isso, embora tenham um fundo de verdade, as informações dadas por Fortunati têm muito mais um caráter estratégico do que, de fato, pessimista.

Reuniões

Embora Fortunati tenha sido o único prefeito a falar publicamente sobre o problema, outras cidades também têm encontrado dificuldades em resolver a questão das estruturas temporárias. São Paulo, Natal, Curitiba, Cuiabá e Manaus também não contrataram ainda os fornecedores destas instalações. Por isso, o secretário geral da FIFA, Jérôme Valcke, retornou ao Brasil, onde fará uma série de reuniões para pressionar os administradores dos estádios.

Valcke já anunciou que se reunirá com os administradores até quarta-feira. No dia seguinte, o secretário dará uma entrevista coletiva no estádio do Maracanã, para atualizar a situação das cidades-sede da Copa do Mundo. A expectativa da FIFA é de que, até lá, todas as pendências já tenham sido resolvidas ou, no mínimo, encaminhadas.

A tabela da Copa do Mundo prevê cinco partidas para o Beira-Rio, quatro delas na fase de grupos, além de uma nas oitavas de final. Caso a cidade fosse de fato excluída do Mundial – o que, hoje, é impensável para a FIFA -, seria necessário fazer o remanejamento destes jogos para outras cidades-sede. Neste caso, a prefeitura de Porto Alegre teria de gastar milhões com indenizações à FIFA e a torcedores que já adquiriram seus ingressos, passagens aéreas e reservas em hotéis.