Publicado em: sábado, 07/04/2012

Escola estadual da Grande São Paulo obriga alunos a rezar antes das aulas

Na escola estadual Gertrudes Eder, um ritual se repete todos os dias. Os alunos são enfileirados na quadra do colégio e uma professora pede silencia para a realização do pai-nosso. Nesta escola de Itapecerica da Serra, na grande São Paulo, é assim todo o dia: é preciso orar antes de entrar na sala. As turmas da manhã e da tarde participam, no período da noite não.

Esta prática é inconstitucional, já que o estado é laico. Ninguém pode obrigar numa escola pública o outro a rezar. Os funcionários da escola afirmam que ninguém é obrigado a rezar, podendo permanecer em silêncio no momento da oração. Ainda assim, todos são obrigados a ouvir.

A professora responsável por coordenar a oração teria ameaçado reduzir o tempo do intervalo dos alunos que demorassem a ficar quietos, perguntando se alguém se oferecia a ir à frente iniciar a oração. Como as aulas só começam depois disso, pode significar perder até dez minutos de aula.

Um dos alunos revelou que antes rezava por vergonha, que se sentia constrangido pelo olhar de reprovação de alunos e professores diante da sua negação em orar. A família do menino foi até a escola reclamar, mas obteve como resposta que a ação foi votada e escolhida democraticamente.

Ações posteriores

A Secretaria de Educação foi procurada pela imprensa e proibiu a realização da oração, decidindo ainda afastar a diretora de forma preventiva para apurar os acontecimentos. A diretora foi proibida de se manifestar, e a secretaria afirmou ainda que não compactua com práticas que desrespeitem o estado laico e do ensino público, acarretando consequentemente, no desrespeito a liberdade religiosa.