Publicado em: quarta-feira, 14/03/2012

Enciclopédia Britânica deixa de ser impressa após 244 anos

Depois de 244 anos de história, acumulando sete milhões de edições vendidas, a Enciclopédia Britânica anunciou ontem, terça-feira (13), que deixará de produzir a versão impressa. A Enciclopédia Britânica é a mais importante do mundo e só estará disponível agora em versão online.

A notícia parece ter incomodado o público que prefere as versões impressas, mas a companhia que editava a publicação afirmou ver o processo como quase esperado. Na última década, a empresa se especializou no mercado de produtos para a área de educação, parte do negócio que correspondem a 85% de sua receita.

A famosa enciclopédia responde por apenas 15% do que a companhia gera, e ainda assim a maior parte desta porcentagem vem da venda de assinatura online, além de apps para celular e tablets. “A transição não foi assim tão difícil. Todos entendiam que precisávamos mudar.

Ao contrário do que acontece com os jornais, nós tivemos muito tempo para refletir sobre isso, pois sentimos o impacto do digital há muitos anos”, declarou a imprensa o presidente da Encyclopedia Britannica, Jorge Cauz.

O presidente ainda afirmou que, pelo o que ele sabe, a empresa foi a única deste segmento a mudar do modelo clássico impresso para as novas mídias digitais, conseguindo ainda ter alguma lucratividade.

Versão impressa

Os lucros da versão impressa da Enciclopédia foram rapidamente ultrapassados pela rápida transmissão de informações na internet. Principalmente com o uso da Wikipédia, que é gratuita e possui quase quatro milhões de verbetes disponibilizados em diferentes. A enciclopédia do criado Jimmy Wales, que dá a possibilidade colaboração dos usuários, transformou os pesados livros de capa dura obsoletos, além de contarem com apenas pouco mais de 120 mil verbetes.

Mesmo com a disputa com a famosa Wikipédia, Cauz não está preocupado e confia na qualidade de seu produto. “Podemos não ser tão grandes quanto a Wikipédia, mas temos um discurso acadêmico, um processo editorial e artigos bem escritos, baseados em fatos. Achamos que tudo isso é muito, muito importante e nos proporciona uma alternativa que queremos oferecer ao máximo de pessoas possível”, explicou ele, ainda acrescentando: “acreditamos que haja entre 1,2 bilhão e 1,5 bilhão de perguntas para as quais nós temos as melhores respostas”.