Publicado em: sábado, 19/05/2012

Em meio a incertezas, Grécia inicia nova campanha eleitoral

Mais uma vez a Grécia entrou em campanha eleitoral. O foco agora são as legislativas para o dia 17 de junho. A eleição em período de temores cada vez mais fortes sobre a possibilidade de um afastamento da Grécia da zona do euro, resultante um período de turbulência nos mercados.

A campanha marca a segunda eleição no mais país em menos de dois meses, o que contribui para piorar a incerteza política, aumentando a ansiedade dos credores (FMI, BCE e UE). Os blocos econômicos duvidam que os gregos realmente queiram manter a austeridade fiscal, que vigora desde 2010, quando o partido contrário ao rigor nas eleições venceu, em 06 de maio.

Outra ponta de preocupação se origina no medo que o partido de esquerda, anti-austeridade Syriza, consiga o poder. O partido conquistou o segundo lugar na eleição do começo de maio, ficando atrás apenas do partido de direita, Nova Democracia.

Expectativas

Na última semana, o partido de esquerda, despontava em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, mas um novo levantamento divulgado ontem, sexta feira (18), no jornal Eleftheros Typos, indicava o partido conservador de direita já em primeiro lugar, com mais de 23% dos votos, contra apenas 21% para o de esquerda e mais de 13% para o PASOK, partido socialista.

Entretanto, ainda que antes da votação, os títulos e ações da Grécia já quase não têm mais valor nos mercados mundiais. A Fitch, uma agência de classificação financeira, tomou uma medida drástica na última quinta feira (17): ela reduziu ainda mais a nota de longo prazo, para o pagamento da dívida em moeda estrangeira. Agora, passou de “B-” para “CCC”, apontando ainda para o risco elevado da saída da Grécia da zona do euro.

Isso significa, politicamente, que a instabilidade ficou maior depois do fracasso dos líderes na formação de um governo de coalizão, logo depois que o Parlamento se fragmentou nas eleições de maio.

O retorno às urnas deve acarretar em mais atrasos no plano para ajustar as finanças da Grécia, além de contar com alguns investidores temerosos, que tem medo agora que o país abandone completamente os compromissos já firmados.