Publicado em: segunda-feira, 03/06/2013

Em dez anos, morte de motociclistas subiu 263,5%

Em dez anos, morte de motociclistas subiu 263,5%O índice de mortes causadas em acidentes de envolvendo motos no país cresceu 263,5% ao longo de dez anos. As informações são do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), implantado pelo Ministério da Saúde. No ano de 2011, o número de mortes provocadas por acidentes foi de 11.268. Em 2001, o número de motociclistas mortos em acidentes foi de 3.100 pessoas. Conforme o Ministério da Saúde, os números de 2011 são os mais atuais, pois o trâmite para que seja feito o registro de morte acaba sendo demorado, podendo levar até 2 anos para que todos os casos sejam contabilizados.

O pulo no índice de motos em acidentes com motocicletas é muito mais alto que o índice de vítimas fatais em outros acidentes em envolvendo motos, carros, ônibus, caminhões e pedestres. Só no ano de 2011, houve 42.425 mortes, vinte mil a mais que as 30.524 ocorridas em 2001, o que representa uma alta de 39%.

Neste mesmo tempo, o número de motocicletas cresceu 300%, conforme os dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas e Similares (Abraciclo), baseado nos índices apresentados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Além disso, a quantia de motocicletas que foram emplacadas no Brasil pulou de 4,611 milhões em 2001 para 18,442 milhões em 2011.

Especialistas destacam que a falta de preparo dos condutores de carros e motociclistas são os principais motivos para a causa de acidentes no país. Isso significa que, além do aumento muito do número de carros, a influência humana influencia a maior parte dos acidentes. Além da não habilitação, o desrespeito às leis de trânsito, a falta de uso de itens de segurança e a imprudência complementam os fatores que aumentam o número de acidentes. Quem faz os apontamentos é Júlia Greve, que coordena o programa HC em Movimento, desenvolvido pelo Hospital das Clínicas, localizado em São Paulo, e que trabalha a prevenção dos acidentes.

Júlia atua ainda no Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas, a maior unidade de saúde pública do Brasil que atua na recuperação de pessoas que sofreram acidente com moto no Brasil. Conforme a equipe médica que atua na unidade, a maior causa de mortes de motociclistas é devido à ferimentos na cabeça. O instituto recebe pessoas que não tiveram lesões internas, focando a recuperação dos músculos, articulações e ossos.

Custo alto

O Ministério da Saúde aponta ainda em que em 2011 foram 155.656 internações devido a acidentes de trânsito, o que totalizou R$ 205 milhões. Destes, 77.113 foram ocasionados por motos, o que totaliza R$ 96 milhões em custos. A maior parte das pessoas que se acidentaram de moto é de classes econômicas mais baixas, com idade entre 18 e 30 anos.