Publicado em: terça-feira, 18/03/2014

Em busca de privacidade, usuários apostam em redes sociais alternativas

Em busca de privacidade, usuários apostam em redes sociais alternativasEmbora estejam muito longe de fazer sombra ao Facebook, diversas redes sociais consideradas alternativas têm conquistado cada vez mais público. Dentre a maioria dos usuários, a principal motivação é a busca por privacidade. É o caso de Alexandre Oliva, ativista que ajudou a criar a América Livre, fundação que se dedica à divulgação de softwares livres.

Oliva nunca teve um perfil no Facebook, embora possua uma fanpage no site, criada a partir de seu perfil na Wikipédia. Para o ativista, a própria arquitetura do Facebook é um problema, devido a seu grande número de usuários. Oliva acredita que, devido a questões de vigilância, qualquer site que reúna muitas pessoas acaba se tornando um problema.

Redes alternativas

Apesar de nunca ter utilizado o Facebook, Oliva está presente em diversas outras redes sociais que têm, em seus conceitos, uma maior preocupação com a privacidade. É o caso da identi.ca e do Twister, dentre outras. Após o vazamento de informações sobre a espionagem norte-americana, a procura por estas redes sociais cresceu de maneira considerável. Entretanto, nenhuma delas parece ter a intenção de se tornar uma gigante da Internet, como o Facebook.

Outra rede social que tem chamado atenção é a Diaspora, criada exatamente para ser uma alternativa ao Facebook. A Diaspora foi criada por alunos da Universidade de Nova York e, em dezembro de 2013, teve seu primeiro servidor inaugurado no Brasil. O responsável pela rede social no país é Anahuac de Paula Gil. De acordo com ele, atualmente existem pouco mais de 5,5 mil usuários brasileiros na rede; mundialmente, a Diaspora conta com 1,5 milhão de usuários.

De acordo com Anahuac, o objetivo é que a Diaspora chegue a 50 mil usuários no país. Para ele, as divulgações da espionagem norte-americana têm ajudado a impulsionar as redes alternativas, pois muitas pessoas estão voltando a se preocupar com a privacidade.

Segurança

O Twister, que já conta com cerca de 50 mil usuários, foi desenvolvido pelo brasileiro Miguel Freitas. O grande diferencial desta rede está em seu funcionamento, através do sistema peer-to-peer (modelo similar ao dos torrents). Aos olhos do usuário comum, pode não haver muitas diferenças no sistema de utilização desta rede, além da interface. Contudo, em termos de segurança, há um reforço considerável na privacidade.

Para Miguel Freitas, os ajustes de privacidade oferecidos pelo Facebook são terríveis. O engenheiro critica também a filtragem de posts da rede social de Mark Zuckerberg, além do processo de bloqueio de contas e outros elementos.

Freitas acredita no sucesso do Twister, mas reforça que as mudanças de comportamento dos usuários nem sempre são permanentes. Muitas vezes, quando surgem notícias sobre espionagem, há uma “onda” de novos usuários. Contudo, assim que o assunto deixa de ser pauta em veículos de imprensa, há uma tendência de redução de novos usuários. O criador do Twister afirma, também, que a maior parte dos “usuários típicos” de redes sociais não se preocupa com a própria segurança na internet, a não ser que algo concreto aconteça.