Publicado em: sábado, 29/03/2014

Eliminação do São Paulo pode acirrar disputa eleitoral no clube

Eliminação do São Paulo pode acirrar disputa eleitoral no clubeNa segunda semana de abril, o São Paulo terá suas eleições presidenciais. Nos últimos meses, este tem sido o principal assunto nos bastidores do clube, principalmente porque, após três mandatos consecutivos (e uma polêmica mudança no estatuto do clube), o presidente Juvenal Juvêncio não tem mais direito à reeleição. Com isso, a oposição busca se fortalecer com nomes como o de Marco Aurélio Cunha, um dos ex-dirigentes mais queridos da torcida.

Equilíbrio

Desde que se “eternizou” no cargo, Juvenal Juvêncio tem passado por eleições muito tranquilas. Desta vez, entretanto, a oposição tem se armado para tornar a eleição mais equilibrada. De acordo com observadores próximos dos bastidores do tricolor, o desempenho ruim apresentado dentro de campo pode, inclusive, ser um fator importante a favor da candidatura de Kalil Rocha Abdalla, representante da oposição.

Nos bastidores do São Paulo, a derrota para a Penapolense, nas quartas de final do Paulistão, ainda não foi bem assimilada. Por isso, até mesmo membros da situação acreditam que Carlos Miguel Aidar, o candidato de Juvenal Juvêncio, poderá perder votos na eleição.

Ligações

Assim que o São Paulo foi eliminado do Paulistão, ao menos quatro conselheiros vitalícios (que têm direito a voto na eleição) telefonaram para representantes da oposição e expuseram a indignação com a equipe. Marco Aurélio Cunha foi o opositor mais procurado, mas Kalil também recebeu telefonemas.

Um dos conselheiros que tem direito a voto, que preferiu não se identificar, afirmou que está difícil seguir no apoio a Juvenal Juvêncio. Apesar da indignação de muitos conselheiros com o desempenho do São Paulo em campo, a estimativa é de que a situação continue em vantagem numérica na diretoria do clube.

Especulações

A oposição a Juvenal Juvêncio declarou recentemente que conta com o apoio de 76 conselheiros vitalícios – ao todo, o clube conta com 155 no momento. Contudo, não são apenas eles que têm direito a voto: na próxima semana, o São Paulo elegerá outros oitenta conselheiros, que têm mandato com duração de seis anos. Caso a afirmação da oposição seja verdadeira, este novo grupo será o grande responsável por definir os rumos da presidência do São Paulo.

Contudo, a eleição destes conselheiros, em termos de proporcionalidade entre situação e oposição, é um grande mistério. Por isso, as eleições do São Paulo se mostram muito equilibradas, o que não acontece desde 2006, quando Juvenal iniciou seu primeiro mandato no clube. O dirigente foi alçado à presidência tricolor após um excelente período como diretor de futebol, quando o São Paulo conquistou seu último Mundial de Clubes, contra o Liverpool.

Desde então, apesar do tricampeonato brasileiro (2006, 2007 e 2008), Juvenal Juvêncio viveu raros períodos de unanimidade. Dentre as maiores críticas ao dirigente estão a política de contratações e um suposto caráter despótico e intervencionista. Juvenal já foi, inclusive, acusado de escalar o time do São Paulo durante períodos de crise, ignorando completamente as decisões dos treinadores. A relação com as torcidas organizadas do clube também é alvo de críticas de alguns conselheiros.