Publicado em: quinta-feira, 06/02/2014

Egípcias se unem contra prática cultural nociva

Egípcias se unem contra prática cultural nocivaDeclarado pela OMS (a Organização Mundial da Saúde) celebra-se nesta quinta-feira, 06 de fevereiro, o Dia Internacional da Tolerância Zero Contra a Mutilação Genital Feminina. O costume da mutilação, também conhecido como ablação, é antigo e nocivo, e muitas vezes praticado sob a justificativa de que se trata de um dever religioso. As autoridades também costumam fazer vistas grossas, e cerca de 90% das egípcias passaram pelo processo.

Tentando alertar para o fato, diversas organizações e associações civis egípcias, como o Centro Canal para Estudos de Formação e Pesquisa, lançaram a campanha, e esperam através dela sensibiliza a população a ponto de erradicar o hábito definitivamente. O País é um dos que possuem o maior número de mutilações genitais no mundo. Para Omnia Arki, porta-voz do Centro, é necessário explicitar que nenhuma mutilação genital é defendida em qualquer texto religioso.

Embora as leis do Egito punam a ablação, os casos continuam acontecendo. É que as leis são inúteis até as pessoas que perpetuam o costume mudem suas crenças, disse o professor da Universidade do Cairo, Tareq Anis, dá aulas de sexologia e também preside a Sociedade Pan Árabe de Medicina Sexual. A maioria das vezes são as mães que levam suas filhas ao médico para executar o procedimento, muitas crescem se sentindo incapazes e destroçadas, infelizes com o próprio corpo.

As implicações são físicas, sexuais, emocionais, sociais e pessoais. E, embora a prática comece a diminuir entre as mulheres e meninas o índice ainda é muito alto. Mas, para Anis, é basicamente uma questão cultural e tradição, uma vez que não possuem nenhuma utilidade médica.

Morte

Se a mutilação não traz nenhum benefício médico, os malefícios já são mais do que sabidos. Após passar pela mutilação genital, uma adolescente sofreu complicações e morreu em decorrência disso. Foi em junho de 2008, e desde então o costume passou a ser crime, constando no código penal do Egito e prevendo penas de prisão com de três meses de prisão até dois anos, e até US$ 800 de multas.