Publicado em: quarta-feira, 04/04/2012

Economistas dizem que medidas “ajudam”, mas não atacam o problema central

De acordo com economistas, as novas medidas anunciadas pelo governo ontem para resolver os problemas da economia das indústrias brasileiras não são suficientes, pois não resolvem totalmente o problema. O governo publicou ontem os investimentos do governo no setor da indústria. A primeira medida anunciada foi a desoneração da folha de pagamento. Será uma diminuição de 20% na folha de 15 setores da indústria, como o têxtil e de móveis, por exemplo. Esse imposto será substituído por uma taxa no valor percentual de 1% a 2,5% sobre o faturamento bruto das indústrias.

De acordo com Samy Dana, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, essas medidas são bem vindas para as empresas, mas ainda é preciso ampliar esses investimentos, pois não são suficientes. Segundo o economista da FGV, o país ainda possui uma carga tributária muito elevada, chegando a 36% do PIB. Há também, de acordo com ele, uma infra-estrutura com problemas o que tem impacto na produtividade e na competitividade da indústria no mercado internacional.

Todos os setores deveriam ser abrangidos, dizem economistas

Neste pacote anunciado esta semana, os setores que foram beneficiados com a redução da folha de pagamento foram: auto-peças, ônibus, setor naval, bens de capital mecânicos, hotéis, tecnologia da informação, têxtil, confecções, couro e calçados, móveis, plásticos, material elétrico. Também integrou o programa o setor aéreo, os call centers e o setor de design house.

Na perspectiva dos economistas, outros setores também deveriam receber esse benefício e não apenas estes. Além disso, deveriam ser incluídas outras mudanças. Uma das críticas é que em função da escolha desses setores específicos pode gerar uma competitividade interna. O professor de economia do Ibmec/MG, Ari Francisco de Araújo Júnior, argumentou que essa escolha cria uma competitividade artificial. Só com a redução fiscal, o governo deixará de receber R$ 4,9 bilhões neste ano.