Publicado em: sexta-feira, 02/03/2012

Dólar volta a cair mesmo com extensão do IOF

Mesmo com a extensão do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para três anos, anunciada hoje (1) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o dólar caiu 0,46% depois da valorização de 1,25% apresentada na quarta-feira (29). De acordo com o analista Eduardo Matsura, da Corretora Souza Barros, o dólar devolveu parte da valorização conseguida no dia 29 de março. Segundo Matsura, os analistas esperavam medidas mais duras no combate à desvalorização do dólar. No entanto o mercado reagiu com certa apatia à medida de extensão do IPF e não houve reação nenhuma. A moeda americana fechou o dia em queda, com R$ 1,712 para venda.

Na perspectiva do economista Victor José Hohl, do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, essa medida é fraca e não ajuda muito a conter a desvalorização. Ele acredita que essa foi uma experiência do Ministério da Fazenda apenas para observar o resultado e adotar outras soluções mais adiante, como por exemplo, a gradativa redução da taxa básica de juros (Selic).

Hohl destaca que a situação econômica é complicada, pois se o Comitê de Política Monetária (Copom) baixar a Selic de maneira brusca, vai provocar alta na inflação. Mas, por outro lado, é preciso reconhecer que há excesso de liquidez no mercado mundial e precisa-se de ações dos governos. Essa liquidez foi provocada, segundo Hohl pelas emissões de dólares feita pelos Estados Unidos e de euros na Europa, com o objetivo de salvar os bancos Europeus da crise econômica que atingiu grande parte dos países da zona do euro.

Segundo o economista todo esse dinheiro disponível no mercado procura aplicações rentáveis em diversos lugares no mundo, no entanto o Brasil é o país que apresenta as melhores taxas de juros. Isso explica a grande quantidade de dólares especulativos que entram no país diariamente. Hohl disse ainda que não adianta o Banco Central comprar moeda norte-americana todos os dias para “enxugar o mercado”. Essas compras têm um custo excessivamente alto para o Brasil e a emissão de títulos aumenta a dívida pública.