Publicado em: segunda-feira, 05/03/2012

Dilma pede coalizão forte

Depois de se encontrar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, Dilma Rousseff pediu união aos partidos da base aliada. A presidente falou ainda sobre o “fardo” de governar e destacou a importância de uma “coalizão forte” para ajudar nessa tarefa. Dilma foi aconselhada por Lula a cuidar mais da política para evitar novas crises e aproveitou a cerimônia de posse do ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), na sexta-feira (2), para conter os problemas.

Durante seu discurso, Dilma disse que o governo precisa de uma coalizão forte para promover as mudanças necessárias ao país, e principalmente para fazer aquilo que o povo brasileiro espera que seja feito. Para finalizar, agradeceu por ter uma base que a apóia. No encontro com Lula, no entanto, Dilma expôs seu incômodo com a insubordinação do PMDB. O partido divulgou um manifesto escrito por deputados e avalizado pelo vice-presidente Michel Temer com críticas ao PT. A presidente reclamou ainda da infidelidade de aliados como o PR, o PDT e o PSB. Lula aconselhou sua sucessora a dialogar mais com os partidos que compõem a coalizão, ouvir suas queixas e contornar a situação para evitar que os problemas fiquem maiores.

Partidos ficam insatisfeitos com a presidente

O PMDB ficou insatisfeito por não participar das decisões governamentais e da distribuição dos cargos. A nomeação de Marcelo Crivella para o Ministério da Pesca foi o auge da crise. O manifesto divulgado dizia que o PMDB vive uma “encruzilhada” em que o PT quer diminuir a participação do PMDB no governo. Os deputados alegaram que nem Temer foi consultado sobre a escolha de Crivella. Durante a posse de Crivella, Dilma respondeu às criticas do PMDB sobre uma possível “relação desigual” entre os partidos da base aliada do governo.

Dilma insistiu em dizer que num sistema presidencialista, as decisões são de responsabilidade do presidente. Depois do discurso de Dilma, o senador Valdir Raupp (RO), presidente do PMDB, disse que o manifesto não significa ruptura com o governo, mas serve de alerta porque a insatisfação começa pelas eleições municipais.