Publicado em: quarta-feira, 05/10/2011

Deputado compara Assembleia de SP com camelódramos

O deputado estadual Roque Barbiere (PTB) comparou a sua própria atividade e a de seus colegas com a dos “comelódramos”, comércio conhecido por vender produtos pirateados e falsificados. A afirmação foi feita nesta terça-feira (04), quando o deputado compareceu pela primeira vez na Assembleia Legislativa de São Paulo depois de ter sido envolvido no esquema de vendas de emendas parlamentares.De acordo com ele, “isso é igual a camelô. Cada um vende de um jeito”.

Popularmente conhecido como Roquinho, Barbiero foi envolvido no escândalo depois de lançar acusações contra os outros representantes da Câmara. Em entrevista coletiva, Barbiero afirmou que parlamentares enriqueceram negociando fazendo lobby com empreiteiras e vendendos emendas para prefeituras. Apesar de não ter citado nomes, Barbiero declarou que se os “mais antigos” fingirem surpresa é hipocrisia. Com apuração própria, o jornal Folha de S. Paulo cruzou informações da lista de emendas parlamentares com os relatórios de votações, que são documentos públicos do Tribunal Superior Eleitoral.

De acordo com a conclusão da pesquisa, ao menos seis deputados estaduais destinaram recursos a municípios onde não tiveram nenhum voto. Os deputados que estariam envolvidos são Dilmo dos Santos (PV), Ed Thomas (PSB), Geraldo Vinholi (PSDB), Gilmaci Santos (PRB), Orlando Morando (PSDB) e Vanessa Damo (PMDB).

Apesar de não ser ilegal a destinação de recursos a municípios onde o representante não conseguiu nenhum voto, normalmente os parlamentares realizam obras em lugares onde os eleitores os apoiaram. No caso do membro do Conselho de Ética da Assembleia, o pastor Dilmo dos Santos, por exemplo, cerca de R$ 300 mil foram destinados à contrução de dois barracões em municípios onde não teve apoio.