Publicado em: quinta-feira, 12/07/2012

Demóstenes é cassado e suplente assume cargo

O Senado votou ontem pela cassação do senador Demóstenes Torres que era acusado de usar o seu mandato para auxiliar uma quadrilha de jogo do bicho em Goiás comandada pelo empresário Carlinhos Cachoeira. Para ser cassado eram necessários pelo menos 41 dos 81 votos dos senadores. No total, foram 56 votos a 19. A votação correu de maneira secreta e, mesmo assim, cinco pessoas se abstiveram. Com a cassação do mandato de Demóstenes, assumirá a vaga o suplente do ex-senador, Wilder Pedro de Morais. Ele é ex-marido de Andressa Mendonça, que é a atual mulher de Carlinhos Cachoeira. Ao ser lançado o resultado da votação, Demóstenes não saiu antes do anúncio que seria feito pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Acompanhado do advogado, Demóstenes saiu pelo elevador privativo e saiu sem dar entrevista aos jornalistas.

No discurso antes da votação, Demóstenes disse que era vitima da imprensa e inclusive, fez ataques ao senador Humberto Costa (PT-PE) que foi o relator do processo no Conselho de Ética. O ex-senador reclamou por ter sido chamado de “braço político” de Carlinhos Cachoeira. Segundo ele, é praticamente impossível se defender de uma acusação desse tipo. Além disso, ele também ressaltou que está sendo usado como “bode expiatório”, pois o Senado precisa pegar alguém para que a imagem da instituição não fique ruim.

O advogado de Demóstenes também ocupou a tribuna para defender seu cliente. Ele disse que Demóstenes era alvo de uma campanha difamatória, sendo que as gravações foram feitas de maneira ilegal pela polícia. Além disso, os supostos vazamentos dos dados prejudicaram o ex-senador, já que causaram um prejulgamento. O advogado ainda usou como defesa o fato de Demóstenes ter recebido mais de 2 milhões de votos. Segundo ele, a vontade dos eleitores deveria ser mantida.