Publicado em: terça-feira, 28/08/2012

Degelo do Ártico está acima do normal

Degelo do Ártico está acima do normalEste ano, uma quantidade já considerada crítica de gelo derreteu a níveis médios no Oceano Ártico. A informação foi confirmada pelo NSIDC, o National Snow and Ice Data Cent, nos Estados Unidos, na última segunda feira (27). Segundo as medições do Instituto, a extensão de área coberta por gelo no Ártico chegou a alcançar 4,09 milhões de quilômetros quadrados, sendo ainda provável que o gelo continue derretendo nas próximas semanas. Este índice quebra mais uma vez o recorde anterior de derretimento, atingido em 2007, de 4,17 milhões de quilômetros quadrados.

O oceano na região do Pólo Norte é superfície completamente coberta por gelo. Durante o inverno no Hemisfério Norte, a água congelada consegue cobrir cerca de 15,54 milhões de quilômetros quadrados, chegando a encolher durante o verão e se expandindo novamente no outono. A dinâmica é diferente do que acontece na Antártida, onde o continente fica todo coberto de gelo e cercado também por gelo, só que marinho.

O técnico do NSIDC, Ted Scambos, afirmou que mesmo com a contribuição de alguns fatores naturais, a causa principal do degelo recorde, sem dúvida, seriam as mudanças climáticas causadas pela emissão dos gases que intensificam o efeito estufa. Já Tom Wagner, pesquisador do programa de sistema de gelo da NASA, afirmou que diante destes dados não é possível negar que o Ártico esteja mesmo mudando.

Os dois pesquisadores chegaram a declarar que o recorde alcançado em 2007 havia sido alguma exceção, mas os dados mostram que algo ainda pior está prestes a acontecer. Para Waleed Abdalati, glaciólogo, este recorde batido em 2012 é um forte indicativo de que o dia em que não haverá mais gelo no Ártico seja uma realidade. De acordo com ele, uma das principais preocupações é que o impacto que este degelo irá causar no clima e meio ambiente global.

Segundo os cientistas, o gelo do Ártico é responsável por moderar as temperaturas do hemisfério norte, tanto no inverno quanto no verão. Este ano, um estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters, fazendo relação entre a perda de gelo do Pólo Norte com uma maior probabilidade de eventos meteorológicos extremos, incluindo, ondas de calor, enchentes e secas.

Wagner ainda explica que o degelo ártico vem acompanhando outras mudanças, como no caso da perda das geleiras do Canadá e Alasca e o degelo recorde registrado na Groelândia. AS temperaturas lá chegaram a ir de nove a 18 graus acima do normal no último verão, além de o gelo estar refletindo menos calor, absorvendo menos calor que o comum anteriormente.