Publicado em: sábado, 05/04/2014

De maneira vexaminosa, Ipea erra em pesquisa, mancha imagem do país e depois pede desculpas

De maneira vexaminosa, Ipea erra em pesquisa, mancha imagem do país e depois pede desculpasA última sexta-feira foi de revelações, piadas, retratações e um certo alívio. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pertencente ao governo federal, admitiu um erro grave na pesquisa divulgada na semana passada, onde apontava-se que 65,1% da população concordam que a mulher é a culpada pelos casos de estupro.

Pelo estudo, haveria concordância total ou parcial dessa fatia da população, entre homens e mulheres que responderam ao estudo. Entretanto, a nova informação dá conta os que acreditam nisto representam apenas 26% da população.

O dado errôneo pertence ao estudo “Tolerância social à violência contra as mulheres”. A troca de gráficos teria influenciado no resultado absurdo, e acabou culminando no pedido de exoneração do cientista social e diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto, Rafael Guerreiro Osório. Ele foi autor de diversos estudos pelo Ipea, onde havia ingressado em 1999.

A repercussão do resultado havia sido internacional, e os números preocuparam as autoridades locais. Mulheres de todo o país, incluindo artistas renomadas, iniciaram uma campanha nas redes sociais, intitulada “Não mereço ser estuprada”, que também foi fomentada por homens de vários locais do país.

Visibilidade

Segundo a jornalista Nana Queiroz, que encabeçou o movimento, o fato de sua iniciativa ter ganhado tanta visibilidade rendeu até mesmo absurdas ameaças de estupro. No entanto, o movimento recebeu apoio do governo federal, especialmente da presidente Dilma Rousseff e da ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci.

O Ipea entrevistou 3.810 pessoas em 212 cidades. Deste total, 66,5% são mulheres. O questionário foi aplicado entre maio e junho de 2013. Uma nota oficial com a correção dos dados e um pedido formal de desculpas foi divulgada pelo Ipea. Entretanto, mesmo com a discrepância neste item, os dados gerais da pesquisa ainda são os mesmos, segundo o instituto.