Publicado em: terça-feira, 15/05/2012

Cpi do Cachoeira – Sigilo telefônico de esposa de Gurgel pode ser quebrado

Um dos 171 requerimentos que esperam para ser votados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista responsável por investigar a influência do bicheiro Carlinhos Cachoeira é a quebra de sigilo telefônico de Claudia Sampaio, subprocuradora-geral da República. Ela é esposa do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e está sendo acusada de omitir o recebimento do inquérito policial a respeito da Operação Vegas, ocorrida no ano de 2009.

A solicitação partiu do senador Sérgio Souza (PMDB-RR) e inclui ligações efetuadas e recebidas por Cláudia desde o dia 21 de maio de 2009. De acordo com informações do senador, o delegado Raul Marques de Souza, responsável pela ação, revelou que enviou os autos à subprocuradora, mas ela não tomou nenhuma providência.

Entre os requerimentos estão ainda dois que convidam o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), para dar esclarecimentos sobre sua relação com o ex-diretor da empresa Delta Fernando Cavendish. A empresa pode ter injetado dinheiro ao menos em três empreendimentos de fachada que eram controlados por Carlinhos Cachoeira.

O bicheiro foi chamado para dar seu depoimento no Conselho de Ética, contudo segundo o advogado de defesa de Cachoeira, Márcio Thomaz Bastos, se o pedido do Supremo Tribunal Federal para acessar documentos do processo não for cumprido, o contraventor ficará em silêncio ou mesmo se ausentar da sessão.

Carlinhos Cachoeira foi preso por estar sendo acusado de comandar a exploração do jogo ilegal no estado de Goiás. Ele foi detido na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que aconteceu no dia 29 de fevereiro de 2012, oito anos depois ter sido divulgado um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do ministro da Casa Civil na época, José Dirceu, exigia propina. Esse escândalo foi parar na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na descoberta do Mensalão.

As escutas telefônicas que forma feitas como parte da investigação da PF indicou contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), que se manifestou afirmando que a violação do seu sigilo telefônico não obedeceu aos critérios considerados dentro da lei.