Publicado em: sexta-feira, 30/03/2012

Corpo de escritor Millôr é cremado no Rio de Janeiro

Depois do encerramento do velório de Millôr Fernandes, por volta das 14 horas da quinta-feira (29), parentes e amigos saíram do Memorial do Carmo e foram até o crematório do Cemitério do Caju. A cerimônia de cremação do escritor foi acompanhada apenas por parentes e amigos mais próximos.

Ivan e Paula Fernandes, os dois filhos do jornalista, juntamente com o irmão Hélio e o neto de Millôr, Daniel, contaram com a solidariedade de aproximadamente quarenta pessoas.

Os colegas cartunistas Ziraldo e Caruso acompanharam a cerimônia. Também estiveram nesta parte mais íntima do acontecimento os atores Cecil Thiré, Fernanda Torres e Antônio Pitanga. Fernanda Torres declarou que o sentimento é indescritível.

A cerimônia durou perto das 15h30, contando até com discursos do amigo Ziraldo e do irmão Hélio. Ele começou a jogar pétalas no caixão, se despedindo do irmão. Pouco antes do término, Ziraldo começou um discurso emocionado.

Ziraldo discursou que ao chegar ao memorial sentiu muita felicidade, o fazendo lembrar e repetir uma frase do próprio Millôr, de que eles estavam convivendo com as melhores pessoas do país. O cartunista ainda brincou, lembrando que teve a chance de afirmar para a mulher que Millôr era o homem de sua vida.

Hélio, depois de aplaudir o discurso de Ziraldo, também discursou para o irmão. Hélio declarou que Millôr abriu caminho para uma discussão sobre os termos “genial” e “insubstituível”. Depois disso, os presentes jogaram mais algumas pétalas de flores e se retiraram da sala.

Trajetória

Millôr faleceu às 21 horas de terça feira (27), enquanto estava em sua casa na Zona Sul do Rio de Janeiro. Filho de Millôr, Ivan Fernandes, explicou que o pai sofreu de uma falência múltipla dos órgãos, seguida por uma parada cardíaca. No ano passado, Millôr já havia permanecido internado duas vezes na Casa de Saúde São José. Por solicitação da família, o hospital não forneceu detalhes sobre sua internação.

O escritor nasceu no bairro do Méier, sempre fazendo piada de seu registro de nascimento, já que foi apenas aos 17 anos que descobriu que seu nome estava escrito errado, onde deveria estar Milton, por causa de um corte no t meio distante, parecia ser Millôr.

O jornalista acabou gostando do novo nome, o adotando desde então. Anos depois, em uma entrevista, o desenhista afirmou que Milton não era uma boa escolha. A data de nascimento também teria sido registrada errada, ao invés do registro de 27 de maio de 1924, Millôr teria nascido em 16 de agosto de 1923.

Atuou como roteirista, tradutor, desenhista e jornalista. Definia-se como um escritor sem estilo, apesar do sucesso que fez em todas as áreas. A carreira começou quando trabalho em áreas mais técnicas na revista “O Cruzeiro”. Retornou à publicação anos mais tarde, iniciando os 18 anos da coluna “O Pif-Paf”.