Publicado em: terça-feira, 05/03/2013

Consumo de dados móveis chega a ser 12 vezes maior do que em 2000

Consumo de dados móveis chega a ser 12 vezes maior do que em 2000No fim do ano, o total de aparelhos que vão transmitir dados através da rede de celular deverá ultrapassar a quantidade de pessoas que existem no planeta. Esta projeção pode ser ainda mais assustadora em quatro anos, quando o total de máquinas conectadas deve chegar perto de 10 bilhões, em uma população próxima a 7,6 bilhões.

Estas contas que foram realizadas pela Cisco estão considerando não apenas a expansão de aparelhos celulares, que tem um mercado próximo a 3,2 bilhões de assinantes hoje, incluídos as pessoas que contam com plano de dados. Estão neste bolo também um grupo silencioso, porém bastante ativo, que são as máquinas que estão conectadas com outras máquinas, entre carros e os aparelhos médicos. Não é apenas isto, que está apavorando operadoras que tem responsabilidade para que todos estes dispositivos fiquem conectados.

Reunidas durante a última semana no Mobile World Congress na cidade de Barcelona, que é a grande feira anual deste segmento, as operadoras fizeram apontamentos de maneira seguida de que a expansão de chips de celulares virá junto de uma revolução em aparelhos e em hábitos dos usuários. O presidente Randall Stephenson da AT&T diz que o surgimento do 3G e de smartphones mudou a indústria.

Estes novos modelos de aparelhos fazem com que tráfego na rede exploda. Como exemplo disso, hoje em dia uma pessoa que usa um iPhone 5, chega a consumir na média de quatro vezes mais os dados que são utilizados por quem utilizava um iPhone 3G no ano de 2008, diz a empresa Arieso que faz análises do setor.

O impulso não vem apenas de telas que são mais convidativas para fotos, de câmeras que podem produzir vídeos com melhor qualidade e publicados de maneira quase instantânea no YouTube ou de teclados com maiores funcionalidades.

Esta parte não visível de celulares também pode elevar o consumo dos dados móveis, que atualmente chega a equivaler a até 12 vezes o tráfego da internet convencional no ano de 2000. Cada vez mais sistemas vão se valer de computação na nuvem para que pudessem funcionar, o que vai obrigar a ocorrer um vaivém em informações dentro das redes.

Porém programas e aplicativos estão ficando cada vez mais famintos. A Alcatel-Lucent faz o cálculo que apenas o redesenho do site do Facebook para dispositivos móveis fez com que o tráfego em redes aumentasse de 5% para 10%.

E este problema é algo global, pois na China, a utilização de dados móveis teve aumento de 187% em 2012, e o presidente Xi Guohua da China Mobile fala que aumento dessa forma não é algo sustentável, a empresa é a maior operadora do planeta em quantidade de assinantes, chegando a ter cerca de 700 milhões de usuários. Este esforço para que possa dar conta de tanta demanda chega a ser gigante até em um setor com números muito grandes como o de telefonia, tendo faturamento anual de aproximadamente US$ 1 trilhão, que faz com que o valor fique próximo ao PIB da Coreia do Sul.

Esse investimento não pode ser apenas para uma maior quantidade de torres, mas para torres com tamanho menor e com maior eficiência, que possam transmitir a tecnologia 4G, que está começando a ser implantada no país, e em uma maior oferta de internet wi-fi.

Isso colabora para que sejam entendidos os motivos que fazem com que as operadoras reclamem tanto, quando se fala em expansão da rede. Elas não querem apenas uma quantidade de regulações e de impostos dos governos, e sim querem empurrar uma parte da conta para as pessoas que dão incentivos para que os consumidores utilizem uma quantidade maior de dados.

No grupo vilão há Viber, WhatsApp, Skype entre outros, que são empresas over-the-top (OTT) que usam as estruturas de operadoras para que ofereçam os seus serviços. Além de pressionar a utilização de dados, como aplicativos que fazem concorrência direta com o que é oferecido nas teles, como por exemplo envio de mensagens e chamadas por voz.

De outra forma, é por causa desses serviços que a receita de operadoras de celular com dados pode ultrapassar a que é obtida hoje com a função que originou os telefones, que é fazer a transmissão de voz. O contrário deverá ocorrer no ano de 2018.