Publicado em: segunda-feira, 10/12/2012

Consumo de álcool pode ter origem genética

Consumo de álcool pode ter origem genéticaPesquisas científicas mostram a possibilidade de um gene ter interferência na quantidade exagerada de bebida ingerida por parte da população. De acordo com informações divulgadas pela revista científica PNAS, o gene RASGRF-2, eleva o nível de substâncias químicas no cérebro que dão a sensação de felicidade e são ativadas com a ingestão de bebidas alcoólicas.

Especialistas da Universidade King’s College, de Londres, descobriram que animais que não possuíam a variação do gene tinham menos vontade de beber álcool. Cérebros de 663 meninos de 14 anos de idade foram analisados através de ressonância magnética que revelou atividade maior no estriado ventral, região que libera dopamina. Essa substância permite a sensação de prazer.

Depois de dois anos de análises, os adolescentes foram questionados sobre a frequência de ingestão de álcool. Quem tinha a variação do gene RASGRF-2, bebia mais que os outros. Gunter Schumann é o responsável pela pesquisa. Segundo ele, ainda não existem provas concretas de que a compulsão alcoólica seja causada somente pela ação deste gene. Há o envolvimento também de fatores ambientais e genéticos.

Entretanto, as especulações têm relevância para desvendar os motivos que levam à vulnerabilidade ao álcool. Schumann explica que há pessoas que têm na bebida uma situação de felicidade e a procuram quando querem atingir essa condição.

A amostragem, pessoas do sexo masculino de 14 anos, é restritiva. Motivo pelo qual Schumann revela a dificuldade de firmar um perfil de “beberrões” a longo prazo. O pesquisador acredita que talvez se possa realizar teste genéticos futuramente para tentar prever quem é mais propenso a exagerar nas doses.

Outro ponto que busca provar a necessidade dessa pesquisa é que as descobertas ainda abririam portas para experiências farmacológicas. Ou seja, introduzir drogas capazes de bloquear o efeito de recompensa, que induz as pessoas a ingerirem bebidas alcoólicas.

Mesmo com todos os prós apresentados, uma ressalta é feita por Dominique Florin, da entidade britânica Medical Council on Alcohol. Ele concorda de haver a possibilidade da existência de um gene que esteja relacionado à “bebedeira”. Porém, nada disso confirma que todas as pessoas que tenham essa variação genética, não poderá beber para não se tornar alcoólatra.

O contrário também não é regra: nada significa que, quem não for portador deste componente genético, terá a liberdade de beber o quanto quiser que vai estar livre da dependência durante toda a vida.