Publicado em: segunda-feira, 04/06/2012

Conseqüência do IPI Reduzido pode ser o endividamento de consumidores

Especialistas argumentam que a alternativa usada pelo governo de estimular o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) pra melhorar a economia do país em 2012 pode trazer consequências preocupantes com o aumento do consumo. De acordo com a socióloga Cláudia Sciré, o que está acontecendo é uma “financeirização da pobreza”. Não é, segundo ela, uma efetiva ascensão de uma nova classe média. Segundo ela, além de olhar para a possibilidade de consumo dessas novas famílias que, segundo estudos e pesquisas, entraram para a classe C, deve identificar a presença de outros itens.

A socióloga questiona, por exemplo, se essas famílias passaram a ter acesso a bens culturais e educação. Segundo ela só com a possibilidade de compra não é possível dizer que essas famílias deixaram a pobreza. Ela argumenta que só o consumo
Não pode ser usado como parâmetro para medir o acesso dos indivíduos para uma nova classe social. A principal critica da socióloga é que essa nova classe pode ficar endividada rapidamente, o que compromete essa ascensão. Segundo ela, não é possível prever o que vai acontecer nos próximos meses e anos.

Endividamento é maior em função dos juros

Segundo o economista Fábio Giambiagi, o endividamento no Brasil, em função do grande estímulo para o consumo proposto pelo governo, é preocupante principalmente pelo alto valor dos juros. Em outros países, mesmo que isso ocorra, os juros são inferiores, facilitando o pagamento. No Brasil, o fato das pessoas ficarem endividadas é mais preocupante, pois uma parcela maior da renda, em função dos altos juros, precisa ser destinada para pagar as contas. Segundo o economista o governo está estimulando o consumo apenas para melhorar o PIB de 2012, mas em longo prazo será necessário investimentos públicos e privados.