Publicado em: quarta-feira, 16/05/2012

Comissão da Verdade já enfrenta críticas

Foi criada recentemente uma comissão com a proposta de elaborar investigações sobre o período da ditadura militar, mais especificamente, sobre os abusos quanto a direitos humanos sofridos pelos torturados. O grupo foi intitulado Comissão da Verdade e irá se reunir pela primeira vez hoje, quarta feira (16), em meio a inúmeras críticas recebidas por oficiais das Forças Armadas e também dos familiares das vítimas.

Os oficiais reformados do Clube Naval do Rio de Janeiro estão bastante descontes com a forma que a comissão foi composta, tendo inclusive, anunciado a formação de uma comissão paralela, que objetiva rebater as possíveis acusações do grupo formado oficialmente.

Esta atitude vem apenas como um reflexo do desconforto que a comissão está provocando nos militares, que vêem o grupo como uma tentativa de vingança.

História

A ditadura vigorou no país ao longo de 21 anos, período em que aproximadamente 400 pessoas foram assassinadas ou desapareceram, além de milhares outras que foram torturadas, incluindo a presidente Dilma Rousseff. O vice-almirante e presidente do Clube Naval do Rio de Janeiro, Ricardo Antônio da Veiga, declarou que é fato que coisas horríveis aconteceram naquele período, mas que as vítimas foram feitas nos dois lados da história, de forma que a comissão só estaria revelando um deles.

Os clubes de militares, liderados por oficias generais da reserva, são uma boa maneira de saber qual é o clima dentro das forças armadas, já que os militares da ativa são proibidos de expressar suas opiniões publicamente ou se reunir em sindicatos. De acordo com o militar reformado Cabral, o Clube Naval teria designado sete oficiais considerados de confiança para constituir a comissão paralela. Segundo Cabral, este grupo paralelo deverá garantir que o relato mostre os dois lados da história.

Além disso, a comissão paralela não produzirá seu próprio relatório, e apenas rebater as acusações que a comissão oficial realizar. Serão dois anos para que a Comissão da Verdade conclua seu trabalho, mas ainda não foi confirmado se ela poderá tornar públicos os documentos.