Publicado em: sábado, 03/03/2012

Ciclistas protestam na Avenida Paulista após morte

Na noite desta sexta-feira (02), mais de cem pessoas participaram de um protesto na Avenida Paulista, São Paulo, contra a violência no trânsito e a imprudência de motoristas em relação aos ciclistas. A manifestação aconteceu devido à morte da ciclista Juliana Ingrid Dias, 33 anos, ocorrida no local durante a manhã. A bióloga foi atropelada por um ônibus enquanto pedalava sua bicicleta.

O protesto foi marcado através de redes sociais e foi realizado na Praça da Bicicleta, próximo à Rua da Consolação, local que já foi palco de manifestações em outros casos como esse. Os manifestantes levavam flores e velas, além de adesivos com a inscrição “Não espere perder um amigo pra mudar sua atitude no trânsito” e flyers divulgando que “Hoje mais um ciclista morreu em SP. Motorista respeite os ciclistas e ajude a humanizar o trânsito”.

O grupo ainda pendurou uma ghost bike, uma bicicleta pintada de branco para representar um ciclista morto.

Uma das faixas da via ficou bloqueada por manifestantes e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) recomendou aos motoristas que evitassem a região. Pouco após o acidente, a CET já havia registrado outra manifestação no local quando algumas pessoas interditaram o sentido Consolação da Avenida Paulista durante sete minutos, deitando no chão.

Mesmo com o ocorrido, os ciclistas garantem que não deixarão de pedalar. “Quanto mais ciclista nas ruas, mais segurança a gente vai ter para pedalar. Nós não podemos desistir. O que precisamos é de mais amor no trânsito, mais respeito. Tem espaço para todo mundo nas ruas”, disse a amiga de Juliana, Flávia Pires, 35 anos. O que os manifestantes pedem é menos agressividades por parte dos motoristas. “Os motoristas, principalmente os de ônibus, dirigem com muita agressividade. A (avenida) Paulista, então, é terra de ninguém. Isso precisa acabar”, afirmou Bruno Gola, 24 anos.

Ciclista teria discutido com motorista antes de sofrer o acidente

De acordo com testemunhas, a ciclista Juliana pedalava entre a faixa preferencial do ônibus (à direita) e a faixa de carros. Ela teria discutido com o motorista de um ônibus e por conta disso, perdeu o equilíbrio e caiu, sendo atropelada por outro ônibus.

Maria Célia dos Reis Fagundes, depiladora que presenciou a colisão, disse em depoimento à polícia que a ciclista Juliana Dias discutiu com o motorista de outro ônibus momentos antes de ser atropelada e, por conta disso, ela perdeu o equilíbrio e caiu. O motorista do ônibus que tentou ultrapassar o veículo que a atropelou, foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.