Publicado em: terça-feira, 04/04/2017

Chu Ming Silveira – inventora do orelhão ganha homenagem do Google

Chu Ming Silveira é homenageada pelo Google no dia em que completaria 76 anos, 4 de abril, por meio do logotipo desse mecanismo de buscas, o Doodle. A arquiteta, que veio para o Brasil quando ainda era criança, foi responsável por desenvolver os telefones públicos conhecidos popularmente como “orelhões”, com esse mesmo formato arredondado presente nas cidades atualmente. O formato arredondado idealizado por Chu Ming ajuda a melhorar a acústica durante a utilização do telefone “orelhão”, e também melhora a durabilidade dos aparelhos.

chu ming silveira arquiteta e designer ganha homenagem

Chu Ming Silveira – arquiteta e designer sino-brasileira

Antes do projeto da arquiteta, os telefones públicos eram instalados dentro de postos de serviços e estabelecimentos comerciais, o que era desconfortável para pessoas que necessitavam de privacidade. Com essa demanda em vista e um baixo valor de investimento para o projeto, Chu Ming Silveira se inspirou nos ovos, já que estudos da época comprovavam na melhoria acústica que era promovida pelo formato e o design era agradável. Naquele momento ela trabalhava no Departamento de Projetos da Companhia Telefônica Brasileira (CTB).

Os primeiros protótipos foram instalados em São Paulo, posteriormente no Rio de Janeiro, para então serem disponibilizados em todo o país. Também foi criada uma versão menor para ambientes internos. O projeto dos orelhões externos foram denominados Chu I, em homenagem a autora, e eles eram (e até hoje são) fabricados com fibra de vidro. O projeto dos telefones públicos em áreas internas, os “orelhinhas” externos foram denominados Chu II. Eram fabricados em acrílico.

Em 2017, mesmo com grande uso dos aparelhos móveis e chamadas pela internet, existem mais de 50 mil orelhões instalados em território nacional. O projeto se popularizou e foi adaptado em outros países como Colômbia, China e Peru.

Breve biografia de Chu Ming Silveira

Chu Ming Silveira é de nacionalidade chinesa e veio para o Brasil com seus pais e seus três irmãos quando ela tinha 10 anos de idade. O patriarca da família, Chu Chen, havia servido às forças armadas nacionalistas, e com a vitória comunista eles foram obrigados a abandonar a China devido a perseguições e repressão sofrida pelos opositores.

Já estabelecida na cidade de São Paulo, Chu Ming Silveira se formou em 1964 no curso Arquitetura e Urbanismo ofertado pela Universidade Mackenzie. Três anos depois, começou a trabalhar na CTB, onde pôde projetar os telefones públicos que há 46 anos são utilizados no Brasil.

A arquiteta casou-se com o engenheiro Clóvis Silveira em 1968. Três anos depois tiveram seu primeiro filho, Djan. Em 1976 teve o segundo filho, Alan.

Chu Ming Silveira e seu marido projetaram e construíram a casa de sua família no ano de 1975, e moraram lá até a década de 1990. O principal objetivo era usar vidro e concreto como principais materiais da construção, e criaram o conceito da casa como um “organismo vivo”.

No final da década de 1980 a arquiteta projetou condomínios residenciais no litoral do estado de São Paulo, na cidade de Ilhabela, seguindo o mesmo conceito utilizado em sua casa.

Chu Ming Silveira faleceu em 1997, quando tinha 56 anos.