Publicado em: terça-feira, 05/03/2013

Caso de bebê que cientistas conseguiram eliminar HIV é diferente de paciente adulto de Berlim

Caso de bebê que cientistas conseguiram eliminar HIV é diferente de paciente adulto de BerlimO primeiro caso em que foi constatada a cura do HIV ocorreu com um americano com 47 anos que ficou conhecido como o “paciente de Berlim”, pois ele vivia na Alemanha quando soube que estava com o vírus no ano de 1995, e é bastante diferente da eliminação do vírus que ocorreu com um bebê com 2 anos e 2 meses e que teve seu anúncio durante este domingo (3) em um congresso médico na cidade norte-americana de Atlanta.

O professor de imunologia clínica e de alergia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Esper Kallás afirma que estes dois casos são muito distintos, pois o primeiro caso foi devido a cura esterilizante, que fica próxima do conceito da cura que tem a população geral, quando o vírus é eliminado do corpo. O americano Timothy Brown tinha o vírus do HIV e também leucemia, o que motivou ele a passar por dois transplantes de medula óssea utilizando células-tronco, de um doador que tinha resistência ao vírus da Aids.

A característica genética que é algo raro, e denominada mutação no receptor CCR5, que faz com que certas pessoas fiquem imunes ao vírus, pode beneficiar Brown e fez com que ele ficasse sem traços deste vírus em seu organismo. Indivíduos que não tem esse receptor não contam com a porta em que o HIV entra em células, porém é algo raro, apenas aproximadamente 1% da população no norte da Europa.

No segundo caso que foi documentado, a criança ficou infectada quando nasceu, e a mãe era soropositiva, e chegou a receber tratamento em 30 horas, houve a denominada cura funcional, que ocorre presença tão pequena do vírus que ele fica indetectável em testes clínicos, incluindo o DNA. Condições dessa forma só podem ter sua identificação feita em métodos bem mais sensíveis, não nos laboratórios convencionais que fazem análises clínicas.

O médico disse que no caso recente, o bebê ainda conta com o vírus dentro do seu corpo, porém a quantidade é incapaz de causar danos para o sistema de defesa, pois ele se multiplica de uma maneira lenta ou nem chega a se multiplicar.