Publicado em: terça-feira, 21/02/2012

Carnaval 2012: Beija-Flor faz homenagem a Joãosinho Trinta

Carnaval 2012 Beija-FlorA escola de samba Beija-Flor, de Nilópolis, na Baixada Fluminense, foi a campeã do Rio de Janeiro ano passado. Este ano, ela contou a história da capital do Maranhão, São Luís, que comemora 400 anos em 2012. O enredo contou com patrocínio do governo do Estado do Maranhão, que custeou cerca de R$ 2 milhões dos gastos. A governadora Roseana Sarney esteve presente na Sapucaí prestigiando o desfile.

Para o público em geral, o maior homenageado da noite foi Joãosinho Trinta, carnavalesco nascido em São Luís e que trabalhou na Beija-Flor por 17 anos, tendo falecido no dia 17 de dezembro do ano passado. Há mais de 20 anos, sob o comando de Joãosinho no enredo “Ratos e Urubus, larguem minha fantasia”, a Beija-Flor foi obrigada pela Justiça a cobrir uma réplica do Cristo Redentor, fazendo uma alegoria que ficou conhecida pela faixa “mesmo proibido, rogai por nós”.

No desfile deste ano, a última das sete alegorias da escola reproduzia o monumento coberto. No começo do desfile, a escola descobriu a imagem, revelando ao invés do Cristo, um João de braços abertos. O ato fez a plateia ir ao delírio. Ao redor da alegoria, havia diversos componentes caracterizados como mendigos, uma das marcas do enredo de 1989.

“É um prazer e até uma obrigação homenagearmos Joãosinho”, afirmou o intérprete Neguinho da Beija-Flor. Ao começar o enredo, ele não realizou a tradicional referência ao “papai”, como se referia ao bicheiro Aniz Abraão David, o Anísio. O presidente de honra da escola de Nilópolis, Anísio, foi preso por envolvimento com jogos de azar. Antes da homenagem a Joãosinho, a Beija-Flor centrou o desfile em dois aspectos de São Luís: a importância dos negros africanos, escravizados que representaram a mão de obra principal para a construção da capital, e em seguida nas lendas e crendices famosas na cidade. O segundo carro alegórico mostrava um navio, onde o casco era composto por corpos com expressões de dor.

A penúltima alegoria, onde eram homenageados os artistas nascidos na capital, como Gonçalves Dias e Ferreira Gullar, contou com algumas dificuldades para ingressar na passarela, gerando uma abertura entre as alas. Este problema pode fazer com que a escola perca ponto nos quesitos harmonia e evolução.