Publicado em: terça-feira, 06/12/2011

Carlos Marighella recebe anistia política no dia em que completaria 100 anos

O líder comunista Carlos Marighella recebeu anistia política da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça na segunda-feira (5), dia em que completaria 100 anos. O evento foi realizado em Salvador, capital da Bahia, cidade onde Marighella nasceu. Com início à tarde, o presidente da sessão, o vice-presidente da comissão, Egmar de Oliveira, afirmou “por unanimidade, a comissão declara anistiado político Carlos Marighella”. Marighella lutou contra a ditadura e foi assassinado em 1969 por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) liderados por Sérgio Fleury.

O resultado foi anunciado depois que a relatora, conselheira Ana Maria Guedes, leu o final do processo, que diz “a Comissão da Anistia, em nome do Estado brasileiro, faz os mais sinceros pedidos de desculpas pelas atrocidades que foram cometidas contra o herói do povo brasileiro, Carlos Marighella”. A viúva de Marighella estava presente, Clara Charf, de 86 anos, e o filho do casal também, advogado Carlos Augusto Marighella.

“O reconhecimento da luta de Marighella pela liberdade e pela vida digna da população é uma vitória para o Brasil. A comissão resgatou a verdade da história e da luta dele. Por muitos anos, os governos mentiram, enxovalharam as pessoas para tirar do Estado brasileiro o peso dos erros. Esse processo acabou. A humanidade e o companheirismo sempre foram suas maiores características. Ele merece esse resgate,” afirmou Clara.

Marighella lutou contra duas ditaduras, a de Getúlio Vargas e a imposta pelos militares. O comunista foi preso três vezes e foi deputado federal constituinte pelo PCB baiano em 1945.