Publicado em: terça-feira, 18/02/2014

Carandiru: testemunha afirma que cenário foi alterado antes da entrada da perícia, e que pelo menos 800 tiros foram disparados

Carandiru: testemunha afirma que cenário foi alterado antes da entrada da períciaO terceiro bloco do julgamento dos acusados de envolvimento no massacre do Carandiru começou com o testemunho do perito criminal Osvaldo Negrini. Segundo ele, muitos dos sinais de bala identificados na Casa de Detenção de São Paulo estavam dentro das celas. Na ocasião, em 1992, foram mortos 111 internos.

Neste bloco estão sendo julgados 15 policiais militares, sendo três coronéis, todos acusados pelos homicídios de oito presidiários e por tentativas de mais assassinatos no 4º pavimento da penitenciária de Carandiru.

Negrini afirmou que, além de boa parte dos tiros terem sido realizada da porta das celas para dentro, não houve preservação da cena do crime. Segundo ele, foi feita limpeza de cápsulas deflagradas no local. O perito citou que pelo menos 800 tiros devem ter sido disparados em Carandiru, mas poucas cápsulas chegaram às mãos da perícia. No quarto pavimento, onde atuaram os policiais que estão em julgamento, apenas uma cela apresentava marcas de tiros.

Para Osvaldo Negrini, o propósito da Polícia Militar era de eliminar os presos para finalizar a rebelião, especialmente levando-se em conta a quantidade de projéteis retirados de cada corpo.

Júri do terceiro bloco é composto por sete homens

O novo bloco de julgamento dos envolvidos no massacre na Casa de Detenção de São Paulo, em outubro de 1992, começou na manhã desta segunda-feira (17). Sete homens compõem o júri que vai definir o futuro dos 15 policiais que estão sendo julgados.

Após o sorteio dos jurados, todos passaram por avaliação médica, para garantir que problemas de saúde não obriguem o adiamento ou dissolução do júri. Isso aconteceu no 1º bloco, em 2003, quando o julgamento chegou a ser suspenso devido a um jurado ter apresentado mal estar.

Nesta segunda, o juiz ouviu testemunhas de acusação, e deve ouvir a defesa a partir de terça-feira (18). Os réus devem ser ouvidos a partir de quarta-feira. O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo preside o júri.