Publicado em: domingo, 24/06/2012

Brasileiros no Paraguai estão com medo de que Dilma Rousseff faça retaliações ao país

Os brasileiros que vivem no Paraguai estão preocupados com uma possível retaliação da presidente Dilma Rousseff ao país depois que o presidente Fernando Lugo sofreu um impeachment na última sexta-feira, 22 de junho.

Pouco tempo antes de Lugo ser destituído do seu cargo, a presidente do Brasil tinha afirmado de que se isso viesse a acontecer, o Brasil poderia adotar algumas sanções contra o Paraguai, assim como faz a países que não cumprem princípios que caracterizam uma democracia. Dilma Rousseff disse ainda que o não respeito pelas regras democráticas no país vizinho poderia fazer com que ele não participasse mais de órgãos multilaterais. Essa foi uma ameaça clara de expulsão do país do Mercosul e da Unisul.

Entretanto, brasileiros que vivem no Paraguai acham que a presidente Dilma deve se lembrar, antes de qualquer decisão, dos brasileiros que vivem no país vizinho e que podem ser prejudicados com tais sanções.

Mesmo com as ameaças feitas pelo Brasil e por outros países da América do Sul, o presidente do Paraguai foi derrubado depois de um julgamento que foi iniciado pelos parlamentares na última quinta-feira. Nesse sábado (23), o Itamaraty divulgou uma nota na qual condenou a destituição do presidente do Paraguai, alegando que Lugo não teve o seu direito de defesa respeitado.

A estimativa é de que pelo menos 400 mil brasileiros vivam no Paraguai, contando os que nasceram no Brasil, os seus filhos e netos. No país vizinho, os imigrantes do Brasil, que começaram a migrar para o local nos anos 60 e 70 para trabalhar como agricultores, são conhecidos como ‘brasiguaios’. Vale lembrar que trabalhadores sem-terra paraguaios, que contestam a presença dos brasileiros como donos de terras no país.