Publicado em: segunda-feira, 10/03/2014

Brasil pede desculpas a mulheres perseguidas durante a ditadura militar

Brasil pede desculpas a mulheres perseguidas durante a ditadura militarQuatro mulheres receberam anistia por perseguições sofridas durante o período da ditadura militar no Brasil. A decisão aconteceu em sessão especial da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, realizada na última sexta-feira (7) para homenagear o Dia Internacional da Mulher, que é comemorado neste sábado.

As beneficiadas são uma advogada, uma professora universitária, uma psicanalista e uma jornalista, e todas vão ser indenizadas pelos prejuízos materiais sofridos na época, por demissões, exílio e prisão motivados por razões políticas.

Durante o julgamento dos processos de anistia, as quatro narraram as situações a que foram expostas, emocionando os membros da comissão. A advogada Aglaete Nunes Martins contou que, entre as situações pelas quais passou, um fato marcante foi a invasão e destruição de seu escritório no centro do Rio de Janeiro, em ação realizada por agentes do extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em 1984.

Outros casos

Já a professora da USP, Maria do Rosário da Cunha Peixoto, depôs que ficou presa entre junho de 1969 e maio de 1970, tendo sofrido diversas torturas nesse período. Ela era funcionária da Secretaria de Educação de Minas Gerais, e foi forçada a pedir demissão por conta dos constrangimentos sofridos no trabalho. Ela relatou ainda que a situação refletiu em sua vida nos anos seguintes, quando teve dificuldades para conseguir emprego.

A participação do marido da psicanalista Lúcia Maria de Cerqueira Rodrigues em uma mal sucedida resistência armada no Pernambuco obrigou ela e a família a buscarem exílio nos Estados Unidos e no Paraguai até a promulgação da Lei de Anistia. O marido da psicóloga já foi anistiado, e ela receberá indenização pelos prejuízos causados quando perdeu o emprego no Senac de Pernambuco na época.

Quando ainda tinha 16 anos, a hoje jornalista Lúcia Leão passou 30 dias presa no Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo. O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra era o comandante do destacamento no período, e já foi acusado por diversos casos de tortura. Lucia afirmou que sofreu pouco com tais atos, mas presenciou cenas aterrorizantes. Quando foi solta, ela precisou se mudar para Brasília por não conseguir mais se estabilizar em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde buscou refúgio por um curto tempo.