Publicado em: quinta-feira, 15/03/2012

Brasil dificulta entrada de espanhóis no país por causa de reciprocidade

No final de janeiro, o governo da presidente Dilma Rousseff comunicou Madri, capital da Espanha, a respeito do seu propósito de endurecer as restrições feitas à chegada de espanhóis nos aeroportos brasileiros. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, essa foi “uma medida de reciprocidade” que serviria apenas aos turistas.

Isso ocorreu devido à grande rejeição de brasileiros no aeroporto de Barajas, em Madri. Por isso o Brasil passaria a exigir dos espanhóis o mesmo que a Espanha exige dos brasileiros, como passagem de volta, prova de que possui condições financeiras de se manter, além de reserva de hotel ou carta que comprove a hospedagem em uma casa.

As novas medidas entrariam em vigor a partir do dia dois de abril, porém foi antecipada em um mês. Um caso recente que deve abalar a relação entre Brasil e Espanha é o de Pablo Ferreirós, de 28 anos, que ao desembarcar em solo brasileiro foi enviado de volta ao seu país. Ele não veio ao Brasil como turista, mas se tivesse dito que estava a passeio teria conseguido autorização para ficar, já que cumpria as condições. Contudo ele contou que iria participar de uma feira de intercâmbio, representando uma escola espanhola de negócios.

Ele foi informado então que precisaria do visto correspondente ao trabalho e não o visto de turista. A questão é que segundo acordos entre os dois governos entende-se que o visto de trabalho é exigido somente se o visitante fosse exercer uma atividade remunerada. Entretanto os brasileiros não interpretaram que para uma feira bastava mostrar um convite feito pelos organizadores. Além dele, mais seis espanhóis estavam enfrentando problemas para entrar no país.

A estimativa é de que a partir de abril as repatriações aumentem, e mesmo que atinja apenas turistas, na prática significa uma barreira à entrada de espanhóis que estão em busca de emprego. A tensão se agravou quando uma brasileira de 77 anos ficou retida em Barajas durante três dias, na semana passada.