Publicado em: terça-feira, 18/03/2014

Bom Senso FC busca apoio para Fair Play financeiro

Bom Senso FC busca apoio para Fair Play financeiroNesta segunda-feira, 17 de março, membros do movimento Bom Senso FC realizaram um seminário em São Paulo que teve como foco a discussão sobre o chamado Fair Play financeiro, que busca a saúde financeira das equipes do futebol brasileiro. O grupo deu maiores detalhes sobre a ideia, defendendo a criação de um órgão para fiscalizar os gastos dos clubes.

Pontos

No evento, foram apresentados oito pontos relativos ao Fair Play financeiro. O objetivo do Bom Senso FC é implantar a medida de maneira progressiva: nos primeiros dois anos, o déficit das equipes poderia ser de, no máximo, 10%. Nos dois anos seguintes, cairia para 5% e, após cinco anos, nenhum clube do país poderia ter déficit em suas contas.

O movimento defende também que os clubes recebam alguma espécie de incentivo para conseguir equilibrar suas contas. Para o Bom Senso FC, qualquer problema com a gestão das receitas deve ficar sob a responsabilidade dos dirigentes que estão na ativa no momento.

Dívidas

Outro ponto que mereceu muita atenção do Bom Senso FC foi a questão das dívidas dos clubes brasileiros. O modelo de Fair Play financeiro apresentado nesta segunda-feira tem como maior inspiração o futebol alemão, que vem se tornado um modelo de gestão financeira para o esporte em todo o planeta.

A inspiração ficou ainda mais clara no quarto ponto da lista de oito apresentados: as equipes que tiverem pendências trabalhistas, de acordo com a proposta, ficarão impedidas de contratar novos funcionários (incluindo jogadores).

Exceções

Nesta primeira etapa de implantação de Fair Play financeiro, alguns clubes ficariam livres das exigências, principalmente aqueles de menor porte. Inicialmente, somente equipes que possuem um faturamento superior a R$5 milhões teriam de cumprir as regras. Contudo, mesmo entre aqueles com menor faturamento, seria preciso respeitar alguns dos pontos estabelecidos.

Apoio

Por fim, o movimento apresentou a proposta de criação de um órgão regulador, responsável por fiscalizar os gastos das equipes brasileiras. Este grupo seria formado por dirigentes, membros da imprensa e ex-jogadores, além de possuir apoio governamental.

De acordo com João Chiminazzo, advogado do Bom Senso FC, é possível criar este comitê de maneira independente, sem participação da CBF. Contudo, sem o apoio do governo, a ideia seria inviável. Segundo o advogado, a criação desta entidade custaria R$3,2 milhões por ano. Embora tenha detalhamentos das despesas, o bom Senso FC não sabe exatamente como custear esta iniciativa.

Projeções

O objetivo do Bom Senso FC é que, em 2014, o sistema de Fair Play financeiro seja estruturado e aprimorado. Em 2015, o movimento pretende realizar uma auditoria financeira nas equipes brasileiras, para finalmente aplicar as medidas a partir de 2016.

Caso a proposta vá adiante, futuramente os clubes que não respeitarem sua própria saúde financeira podem sofrer sanções, que começam com uma advertência pública e podem até mesmo chegar à exclusão de determinadas competições. Embora pareça uma solução radical, esta é uma prática muito comum no futebol europeu. Um dos casos mais recentes foi o do Málaga, da Espanha, que não conseguiu cumprir os requisitos de Fair Play financeiro e acabou excluído de competições europeias.