Publicado em: segunda-feira, 27/02/2012

Bolsistas de pós-graduação estão sem receber desde janeiro

A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) é a principal agência que financia as bolsas de pós-graduação do país. Entretanto, a agência está atrasando o pagamento de pesquisadores de universidade federais.

A Capes está vinculada ao Ministério da Educação e não realizou os depósitos relativos ao mês de janeiro de alguns estudantes da pós-graduação. O problema está no repasse dos recursos da Agência às universidades públicas federais do programa Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais).

A agência chegou a admitir o problema, mas não detalhou quantos estudantes foram afetados. Por meio da assessoria, informou que o pagamento estava relacionado à publicação de uma portaria em conjunto da Capes com a Sesu (Secretaria de Ensino Superior), do MEC.

Situação dos bolsistas

Apesar de o documento ter saído no Diário Oficial do dia 17 de fevereiro, muitos bolsistas ainda não receberam as bolsas. “Em 2011 tivemos o mesmo problema. Os bolsistas ficaram três meses sem receber os pagamentos. Estamos apreensivos e com medo de que isso se repita”, conta a bióloga Juliana Carlota Kramer Soares, que trabalha num pós-doutorado na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Os atrasos nos pagamentos da Capes tem sido um assunto recorrente entre os acadêmicos nos últimos anos. “Quando meu marido fez doutorado no exterior, a Capes atrasou em três meses o pagamento. Nós só não passamos necessidades porque, já conhecendo os problemas, fomos prevenidos”, declarou a mulher de um bolsista.

No ano de 2004, a Associação Nacional de Pós-Graduação (ANPG) publicou uma nota sobre os atrasos recorrentes. Em 2010, a associação se reuniu com a Capes na tentativa de encontrar forma de evitar o atraso nos depósitos.

Atualmente, a Capes conta com mais de 71 mil bolsistas de pós-graduação e é também responsável pela avaliação dos programas de pós-graduação. A Capes chegou a declarar que no caso dos atrasos anteriores, a culpa foi em muitas ocasiões do próprio bolsista, que não preencheu corretamente os dados cadastrais e outras informações.