Publicado em: segunda-feira, 17/02/2014

Bitcoin ganha espaço no comércio do país

Bitcoin ganha espaço no comércio do paísAos poucos, o bitcoin começa a superar a desconfiança e ganha espaço no mercado brasileiro. A moeda virtual, que foi criada há quatro anos, já tem sido aceita em hotéis, restaurantes e até mesmo oficinas mecânicas do Brasil. Sem regulação de nenhum banco central, a moeda não possui taxas para as transações realizadas. Contudo, devido à pouca estabilidade, ainda não há indícios de que o bitcoin tenha vindo para ficar. Mas especialistas afirmam que, mesmo que a moeda deixe de existir, sua filosofia deve permanecer.

Vantagens

Como qualquer transação é livre de impostos e outras taxas, o bitcoin tem se tornado a opção ideal para quem precisa enviar dinheiro para outros países. Em Florianópolis, por exemplo, o Caracol Hostel começou a aceitar a moeda virtual há dois meses. De acordo com Enzo Baldessar, funcionário do hostel e responsável pela implantação da moeda no estabelecimento, não há motivos para que o bitcoin não seja aceito. O pagamento de hospedagens com cartão de crédito, por exemplo, possui uma taxa fixa de 5%, cobrada pelas operadoras.

Em São Paulo, um dos principais adeptos do bitcoin é o escritório Modern Lovers, especializado em design. De acordo com o sócio Fabrício Bellentani, a moeda tem duas vantagens essenciais: a velocidade e a ausência de taxas. Como o escritório lida com clientes internacionais, utilizar o bitcoin tem barateado os trabalhos e facilitado a negociação para ambas as partes envolvidas.

Cuidados

Apesar do entusiasmo com o bitcoin, especialistas defendem que a moeda deve ser vista com muita cautela, pelo menos por enquanto. Um dos maiores problemas é a volatilidade nas cotações. Para termos uma ideia desta instabilidade, a primeira transação realizada com bitcoins foi a compra de uma pizza, que, em 2010, custou dez mil bitcoins. Na época, o bitcoin ainda era praticamente desconhecido. Atualmente, com a cotação próxima aos R$2 mil, esta pizza teria custado nada menos do que R$19 milhões.

Mas, assim como sobe, o bitcoin também pode cair. Exatamente pela falta de regulamentação, a moeda pode simplesmente perder seu valor da noite para o dia. Contudo, esta é uma possibilidade remota: os bitcoins não têm uma regulamentação governamental, mas possuem um controle rígido, principalmente no que diz respeito à geração de mais moeda. Por isso, alguns acreditam que a tendência é uma valorização ainda maior.

Sem importância

Alguns países, como Tailândia e China, já proibiram a circulação de bitcoins. O motivo alegado é a facilidade que a moeda traria para a lavagem de dinheiro. No Brasil, entretanto, o volume de transações com a moeda virtual ainda não preocupa o Banco Central, que recentemente informou que o bitcoin não tem relevância para nosso sistema financeiro. As operadoras de cartão de crédito seguem a mesma tendência. A Mastercard ainda não incluiu o bitcoin em sua lista de moedas aceitas devido à falta de regulamentação.

Aproveitando o sucesso do bitcoin, novas moedas virtuais têm sido criadas. Estima-se que, atualmente, existam outras 200 moedas semelhantes, o que reforça a tendência deste novo sistema.