Publicado em: quarta-feira, 15/02/2012

Bebê selecionado geneticamente para salvar a irmã nasce em SP

O primeiro bebê do Brasil que foi selecionado geneticamente para ajudar na cura da irmã nasceu no hospital São Luiz, em São Paulo. Maria Clara Reginato Cunha tem cinco dias de vida, e foi selecionada em laboratório para que não tivesse nenhum gene doente e pudesse ser compatível com a irmã, Maria Vitória, de cinco anos, que é portadora de talassemia major, doença no sangue rara e que pode levar à morte se não for tratada da maneira certa.

A garota de cinco anos tem que passar por transfusões sanguíneas a cada três semanas e precisa tomar remédios todos os dias desde os cinco meses de idade para diminuir a quantidade de ferro no organismo. Os pacientes que sofrem com a talassemia major não conseguem produzir a quantidade necessária de glóbulos vermelhos e, consequentemente, de sangue, causando anemias sérias. Cerca de 700 pessoas no Brasil convivem com esse problema.

A técnica de selecionar embriões saudáveis para tentar curar doenças de outros filhos é praticada desde a década de 90. Porém, desta vez, o trabalho foi mais minucioso, já que, além de não possuir nenhum gene que carregue a doença, o embrião era 100% compatível com a paciente, fato que colabora com o transplante sanguíneo do cordão umbilical.

O casal Jênyce Carla Reginato Cunha e Eduardo Cunha conversou com mais de 30 médicos brasileiros e estrangeiros antes de decidirem a fertilização in vitro para fazer o tratamento da filha mais velha. Os seis primeiros embriões criados no processo de fertilização tiveram que ser descartados, já que não eram totalmente compatíveis com Maria Vitória ou também possuíam o gene com a doença. Apenas na segunda vez, entre os dez embriões, um deles era perfeito para o tratamento.