Publicado em: segunda-feira, 24/02/2014

Banco Central faz levantamento sobre cidades sem serviços bancários

Banco Central faz levantamento sobre cidades sem serviços bancáriosO Brasil tem cerca de 5600 municípios e, de acordo com informações do Banco Central, divulgadas nesta segunda-feira (24), 233 não possuem nenhum tipo de dependência bancária. Ou seja, além de não possui nenhum banco, estes locais também não contam com caixas eletrônicos, agências lotéricas e postos de atendimento. Desta forma, a solução costuma ser a utilização de internet banking ou a visita a cidades próximas.

Considerando apenas os municípios que não possuem agências bancárias, o número sobe consideravelmente, para 1,9 mil municípios. Nestes casos, entretanto, a população pode contar com outros tipos de dependências bancárias. O relatório do Banco Central é feito anualmente e, em relação ao período anterior, somente 19 cidades que não possuíam nenhuma agência bancária passaram a contar com este tipo de serviço em 2013.

Proporção

Em termos proporcionais, o Piauí é o estado que vive a pior situação. De seus 224 municípios, 68 não possuem qualquer tipo de ser bancário – ou seja, 30,4% das cidades. Na sequência está o Tocantins, com 22,3%, seguido por Paraíba, com 21,1% e Rio Grande do Norte, com 21%.

Em termos regionais, o Nordeste é a região que tem mais problemas com serviços bancários: dos 1794 municípios da região, 9,1% não possui qualquer tipo de serviço bancário. Na sequência está a região Norte, com 7,6%. A média nacional, que é de 4,2%, é ultrapassada apenas por estas duas regiões. O sul é a região que apresenta as porcentagens mais baixas, com apenas 0,2% das cidades não contando com qualquer tipo de serviço bancário.

Problemas

A lista de problemas para quem não possui agências bancárias próximas é extensa. De acordo com o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM),Paulo Ziulkoski, os principais problemas apresentados são a dificuldade para o recebimento de verbas de programas federais, como o Bolsa Família. A arrecadação do município, através do recolhimento de impostos como IPTU e ISS, também fica seriamente prejudicada. Nestas cidades, geralmente os impostos municipais são recolhidos em dinheiro.

Além destes problemas de ordem mais pontual, há também uma questão estrutural considerável. Sem movimentações bancárias, estas cidades encontram muitas dificuldades para desenvolver uma indústria e um comércio próprios, dependendo de localidades vizinhas até mesmo para as compras mais básicas.

Em algumas cidades, como Oliveira de Fátima, no Tocantins, é preciso se deslocar cerca de 75 quilômetros para ter acesso a serviços bancários. Até janeiro, era necessário um deslocamento de apenas cinco quilômetros, para o município vizinho de Fátima. Mas o único caixa eletrônico de Fátima sofreu com a ação de assaltantes no início do ano, e agora está impossibilitado de ser utilizado.

Investimentos

Apesar da situação destes municípios, o Banco Central informou que, de acordo com suas projeções, todas as cidades do país têm acesso a serviços bancários e financeiros. No caso da região norte, por exemplo, há um atendimento itinerante, feito com barcos. Em outros casos, a distância a ser percorrida é mínima, como acontecia em Oliveira de Fátima. Apesar dos números, o Banco Central ressaltou o crescimento da oferta de serviços bancários nas regiões norte e nordeste nos últimos anos.