Publicado em: terça-feira, 28/02/2012

Auxílio-doença a drogados gera prejuízo e preocupa Previdência

O afastamento de emprego em decorrência do uso de drogas gerou prejuízo de R$ 107,5 milhões em 2011 para a Previdência Social. O problema que chega ao INSS preocupa o governo, pois somente no ano passado foram concedidos 124.947 auxílios-doença aos usuários. O afastamento dos dependentes químicos de drogas proibidas, tais como crack, cocaína e maconha, é oito vezes maior do que pelo consumo de drogas lícitas, como o uso de álcool e cigarro.

O prejuízo do governo com a despesa ultrapassou R$ 100 milhões no último ano, mas a Previdência tem dificuldades para calcular o valor exato devido às diferenças nos valores dos pagamentos. Conforme dados do INSS, o auxílio-doença pode variar de um salário mínimo a R$ 3.916, sendo que o valor médio é de R$ 861. A previdência afirmou ainda que o número de auxílios ofertados devido ao problema é crescente, pois desde 2009 foram mais de 350 mil auxílios para pessoas afastadas do trabalho. Desses 350 mil, 70 mil são somente por uso de drogas psicóticas. E só em 2011 foram 27.714 novos casos.

De acordo com o ministro Garibaldi Alves, esse problema chegou à previdência e é um dos grandes desafios a serem enfrentados pelo governo, pois se trata de jovens em idade produtiva. O auxílio-doença é pago mediante laudo médico e não há exigência de que seja comprovado uso do dinheiro para tratamento. Segundo Alves, isso se torna um problema no caso dos usuários, pois não há como saber se estão recebendo o dinheiro e utilizando-o para o tratamento. O estado de São Paulo lidera com o maior número de trabalhadores afastados.

A quantidade de atendimento médico para usuários de drogas também aumentou consideravelmente na rede pública nos últimos oito anos. O SUS (Sistema Único de Saúde) contabilizou aumento de aproximadamente 900% nos atendimentos referentes a esse problema.