Publicado em: segunda-feira, 03/03/2014

Assassinato de Rubens Paiva já tem culpado, mas localização do corpo de ex-deputado ainda é desconhecida

Assassinato de Rubens Paiva já tem culpado, mas localização do corpo de ex-deputado ainda é desconhecidaA Comissão Nacional da Verdade (CNV) apontou que o ex-deputado Rubens Paiva foi torturado e assassinado a mando do então tenente Antônio Fernando Hughes de Carvalho, que já é falecido. O crime aconteceu no Rio de Janeiro há 43 anos, nas dependências do DOI (Destacamento de Operações de Informações) do 1º Exército. Ainda falta esclarecer o paradeiro dos restos mortais de Rubens Paiva.

Segundo a CNV, ainda não foram apurados os outros nomes envolvidos no assassinato, e as investigações devem prosseguir. Os resultados foram obtidos com o auxílio de um militar que servia no DOI e colaborou com as investigações. Ele teria visto Hughes participando das torturas ao ex-deputado.

O agente que auxiliou nas investigações seria o coronel da reserva Armando Avólio Filho, que fazia parte do Pelotão de Investigações Criminais da Polícia do Exército. Porém, a Comissão da Verdade afirma que o colaborador solicitou anonimato.

Ex-comandante do DOI pode saber onde está o corpo

O militar e um capitão superior a ele decidiram, na época, relatar o ocorrido ao comandante do DOI, então major José Antônio Nogueira Belham, que atualmente é general reformado. A CNV vai solicitar ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para que o general reformado Belham possa ser ouvido e revele o paradeiro do corpo de Paiva.

Belham ficou no comando daquela unidade entre novembro de 1970 e maio de 1971, e Paiva foi assassinado entre 20 e 22 de janeiro de 1971. A comissão afirma possuir provas de que Belham estava na unidade quando o ex-deputado foi morto. Porém, em depoimento à própria CNV, Belham afirmou que estava de férias quando o fato ocorreu, e que sequer sabia se Paiva teria mesmo passado pelo DOI.