Publicado em: quarta-feira, 15/02/2012

Anvisa adia para março votação sobre proibição de cigarros aromatizados

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adiou para março a votação sobre a proibição da comercialização de cigarros e outros produtos derivados do tabaco que contenham substâncias aromáticas, como menta e chocolate, que retiram o sabor amargo e o cheiro da fumaça.

O motivo do adiamento foi o pedido do diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, para que sejam apresentados maiores detalhes quanto ao uso de açúcar na produção de cigarro. A idéia inicial é que os cigarros saborizados saiam do mercado depois de 18 meses, partindo da data em que a lei foi aprovada.

Entenda o impasse da reunião

De acordo com a proposta original seriam excluídos os seguintes produtos: o açúcar, os aromatizantes, os flavorizantes e os ameliorantes (aditivos). Porém, o relator e diretor da Anvisa, Agenor Álvares, modificou o texto autorizando que seja adicionado açúcar. Os técnicos teriam o prazo de um ano para definir questões específicas relacionadas a esse aditivo.

A mudança, no entanto, gerou controvérsias entre os participantes da reunião. O diretor presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, disse que gostaria que o tema do açúcar fosse melhor debatido.

A indústria brasileira de tabaco, por outro lado, alega que a retirada desse ativo inviabilizaria a produção do cigarro feito a partir do tabaco tipo burley, que é o mais consumido no país atualmente. Segundo os fabricantes, há necessidade de adicionar açúcar nesse tipo de tabaco (burley), pois durante o processo de secagem ele perde o seu próprio açúcar e fica amargo. Eles argumentaram também que sem o consumo do cigarro feito a partir deste tipo de tabaco, aproximadamente 50 mil famílias de fumicultores dessa variedade ficarão desempregadas.

Este último argumento foi decisivo para o adiamento da decisão, pois, segundo Álvares, é necessário levar em consideração não apenas a questão sanitária e de saúde do povo, mas também a econômica.