Publicado em: terça-feira, 28/02/2012

Antártida: incêndio na Comandante Ferraz prejudicou pesquisas sobre o clima

O incêndio ocorrido na base militar brasileira de pesquisas na Antártida, Estação Comandante Ferraz, na madrugada deste sábado (25) comprometeu de 35% a 40% da pesquisa científica do país. De acordo com os cientistas que receberam informações da base, o fogo teria destruído praticamente toda a estação.

“Felizmente, a maior quantidade das pesquisas é feita em navios e acampamentos, mas perdemos uma boa parte desse material”, declara o diretor do Centro Polar e climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jefferson Simões. Ele coordenou a implantação do primeiro módulo científico brasileiro na Antártica, no final de 2011. “Já fui informada por colegas que boa parte do nosso trabalho na estação foi comprometida. Pelas descrições, parece que o estrago por lá foi grande”, contou a professora Yocie Yoneshigue-Valentin, coordenadora do Instituto Nacional da Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA). Ela diz ainda que os estragos do incêndio são inestimáveis.

Simões afirma que a estação teve perda total. “A estrutura é praticamente toda feita de madeira e plástico, com muitos eletroeletrônicos. Todo o material é altamente inflamável. Além disso, o ambiente aquecido, com temperatura mantida em torno de 25° C, contribui para a proliferação do fogo, explicou. De acordo com ele “o clima seco torna o ambiente extremamente perigoso nesses casos” e o acesso à água em forma líquida é bastante complicado.

Yocie, que coordena pesquisas sobre o meio marinho e terrestre no continente antártico, lamenta a perda. “Todo o dinheiro público investido nas nossas pesquisas foi jogado no lixo com o fogo”. Computadores avaliados em 120.000 dólares foram totalmente destruídos.

Simões confessa haver uma enorme instabilidade financeira no que diz respeito ao Programa Antártico Brasileiro. “Estamos com um navio quebrado há dois meses ancorado no porto […]. Foi divulgado o naufrágio da embarcação e agora essa catástrofe”, explica.